Testemunha diz que PM ria durante execução

Jornal GGN – Depoimento de uma testemunha que presencio PMs executando um suspeito que estava rendido e desarmado revela que uma soldado dava risadas enquanto outro policial apertava o gatilho. O depoimento é uma das principais provas da Corregedoria da Polícia Militar para afirmar que Paulo Henrique de Oliveira e Fernando Henrique da Silva foram assassinados, no dia 7 de setembro, no Butantâ.

A apuração afirma que os dois tentavam roubar uma moto quando foram perseguidos por policiais, e que, depois de dominados, foram executados. Onze policiais militares estão presos por envolvimento no caso. Além do depoimento da testemunha, que mora nas imediações do local onde Oliveira foi executado, imagens de câmaras de segurança mostram a ação e confirmam a execução.

Do Estadão

Policial militar ria durante execução, afirma testemunha

Enquanto soldado atirava, policial feminina dava risada; laudo mostra que outra vítima estava ajoelhada e tentou se defender
 
SÃO PAULO – Enquanto um policial militar apertava o gatilho, a soldado Mariane de Moraes Silva Figueiredo dava risadas. É o que revela o depoimento de uma testemunha que presenciou os PMs executando Paulo Henrique de Oliveira, que estava rendido e desarmado. Essa é umas das principais provas da Corregedoria da Polícia Militar para afirmar que Oliveira e seu amigo Fernando Henrique da Silva foram assassinados, em 7 de setembro, no Butantã, na zona oeste da capital.

Segundo as investigações, os dois estavam em uma moto roubada e tentaram roubar outra quando foram localizados e perseguidos por policiais militares na região do Butantã. Depois de dominados, foram executados. Onze PMs estão presos por determinação das Justiças comum e militar.

Estado teve acesso ao Inquérito Policial-Militar (IPM) do caso. A testemunha mora na frente do local onde Oliveira foi executado pelos PMs. Nas imagens gravadas por câmeras de segurança, o rapaz sai de trás de uma lixeira, se rende e é algemado. Depois, é levado para atrás de um muro, tem as algemas retiradas e é executado. Em seguida, um PM coloca uma arma ao lado da vítima.

A testemunha afirmou que estava no quintal de sua casa quando viu Oliveira sair da lixeira e um PM gritou para que ele deitasse no chão. Depois, a testemunha contou que viu Oliveira ser algemado e levado para atrás do muro. Lá, os policiais perguntavam sobre uma arma, mas o rapaz dizia que não tinha.

Ainda segundo ela, os PMs tiraram as algemas de Oliveira, que gritava “que iria ser morto”. Um PM atirou no chão e, em seguida, o rapaz sentou na calçada. “Um dos policiais efetuou disparo contra este indivíduo a uma distância de aproximadamente meio metro.”

Risos. O depoimento ajudou a Corregedoria a pedir a prisão dos policiais. Pela morte de Oliveira estão presos os soldados Tyson Oliveira Bastiane, Silvano Clayton dos Reis, Silvio André Conceição, Mariane de Morais Silva Figueiredo e Jackson da Silva. Segundo a Corregedoria, Bastiane atirou na vítima, Reis colocou a arma – uma pistola calibre 380 – na cena do crime e Mariane deu cobertura para a ação. Durante o reconhecimento da policial na Corregedoria, a testemunha contou que a soldado “dava risadas a todo momento” durante a ação. Os demais PMs foram coniventes com a situação, segundo o IPM.

A outra vítima – Fernando Henrique da Silva – se escondeu em uma casa e foi dominado no telhado. Uma gravação feita por celular mostra que ele foi empurrado por um PM de uma altura de quase 10 metros. Depois, dois disparos foram feitos. Um relatório no IPM mostra que o rapaz caiu de joelhos e tinha duas perfurações na altura da barriga. Além disso, ele teve o dedo de uma das mãos dilacerado por um tiro o que, segundo as investigações, indica que ele teria tentado se defender.

Pela morte dele estão presos o tenente Angelo Felipe Mancini, o cabo João Maria Bento Xavier e os soldados Paulo Eduardo Almeida Hespanhol, Flavio Lapiana de Lima, Fabio Gambale da Silva e Samuel Paes. Segundo o promotor Rogério Zagallo, a investigação tem provas técnicas e testemunhais de que os 11 PMs participaram da execução dos dois rapazes.

Comando. Nesta quinta-feira, o comandante-geral da PM, coronel Ricardo Gambaroni, postou um vídeo para a tropa. Ele diz aos policiais que não serão toleradas violações aos direitos humanos nas ocorrências. “O nosso maior direito é o direito à vida, e o nosso maior dever é preservá-la. Não cabe a nenhum de nós, enquanto profissionais de polícia, decidir sobre a vida do infrator por maior que tenha sido o crime cometido”, afirmou.

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

8 comentários

  1. Sinceramente, eu não tenho

    Sinceramente, eu não tenho mais a menor esperança no Homo sapiens. Desisto, com a alma em pedaços. Eu rio na cara de quem vier com argumentos de que a violência é uma exceção na civilização. Não pode ser. É improvável. Isso está na espécie, não no indivíduo. O mal grassa por toda parte, alhures, aqui e acolá. Achar que esses policiais são diferentes do resto da humanidade não explica a violência que vejo mundo. Pra mim, basta apertar o botão correto e a besta aflora em cada um de nós. Paremos que com essa estória tola de bem versus mal; de nós, os bonzinhos, contra eles, os malvados. Estamos todos no mesmo barco, eu estou no mesmo barco, e quem pular fora vai se afogar. Perdi a inocência com esse sujeito abominável que habita esse planeta há milhões de anos. Eu sei que a minha indignação é contraditória, pois ela sugere que talvez eu não faça parte desse lixo. Não! Faço parte do lixo, sim! Sei que a violência está em mim, em você, neles. Qual a solução pra esse impasse? Queirmar-mo-nos todos na fogueira da inquisição civilizatória?

  2. Lembro, mais uma vez, que o

    Lembro, mais uma vez, que o PT e partidos de esquerda apoiam o “Ciclo Completo de Polícia”, em que essa mesma PM que tortura e mata passará a ser a responsável legal pelas investigações, em detrimento da Polícia Civil.

    Hoje quem investiga é a Civil e a Federal, e não se tem conhecimento da participação de agentes e delegados em grupos de extermínio, como ocorre com praças e oficiais da PM.

    Entregar a investigação á PM é uma das maiores loucuras em gestação no país atualmente. Uma irresponsabilidade apoiada por partidos de esquerda e pelo Ministério Público.

    Para se ter uma idéia da gravidade da coisa. hoje qualquer cidadão detido pela PM deve ser levado imediatamente a uma Delegacia, e apresentado a um Delegado, autoridade civil e jurídica, que somente então decidirá pela prisão ou liberação, arbitramento de fiança etc.

    Com os novos projetos em gestação, esse mesmo cidadão detido poderá ser levado A UM QUARTEL DA PM, ONDE UM OUTRO PM DECIDIRÁ SOBRE SUA PRISÃO, E ONDE PERMANECERÁ CUSTODIADO ATÉ QUE SEJA DESIGNADA AUDIENCIA PERANTE UM JUIZ.

    Ou seja, um Militar decidindo sobre o cerceamento de liberdade de um civil; civil este que permanecerá custodiado em ambiente militar.

    Trevas.

    • PM e ciclo completo

      Totalmente de acordo com o expressado por você, Charlie. Esta situação e a da chacina de Osasco, deixam bem claro o absurdo da proposta de que a PM possa investigar, como se um polícia judiciária fosse. Se protegem, alteram provas, deixam vazar nomes de testemunhas, que depois são ameaçadas. E olhe que nem se lembram mais do caso da Juíza Patrícia Accioly. E o Ministério Público, no afã de poder e de enfraquecer as Polícias Civis e Delegados, apóia este absurdo. 

  3. novas mulheres?

    Algo de muito estranho vem acontecendo com as mulheres deste país. Parece-me que o fato de trabalharem em profissões outrora só para homens, transformou as mulheres em algo diferente. Os sentimentos de compaixão, a capacidade de tornar ambientes menos áridos, estão desaparecendo. Na ânsia de serem levadas à sério, estão se tornando mais áridas e desprovidas de sensibilidade. Uma mulher rindo enquanto um homem executa outro ser humano indefeso, não combina de forma alguma com a feminilidade.

  4. A PM faz aquilo que aprende com as autoridades

    Logo, processar e punir os PMs é um ato de pura hipocrisia e cinismo. Se a investigação não alcançar quem tem responsabilidade por esses crimes, é puro jogo de cena pra sair na GLOBO. Ou quem diz que “…quem não reagiu, está vivo”, não é um incentivador da matança?

    Quem é o responsável pela investigação? o Promotor Rogério Leão Zagallo?

    Sim, pelo que diz a matéria:

    “Segundo o promotor Rogério Zagallo, a investigação tem provas técnicas e testemunhais de que os 11 PMs participaram da execução dos dois rapazes.”

    Esse é o mesmo todo poderoso, “dono” do Tribunal do Juri, que diz e ESCREVE que podem matar a vontade que ele arquiva o processo.

    É isso que ele declarou:

    “Alguém poderia avisar a Tropa de Choque que essa região faz parte do meu Tribunal do Júri e que se eles matarem esses filhos da puta eu arquivarei o inquérito policial”.

    http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/09/matem-esses-filhos-da-p-que-eu-arquivarei-o-inquerito.html

     

     

     

     

     

  5. Violência

    Agora é bonito ser escroto!

    E as mulheres estão indo pelo mesmo caminho na tentativa de se aproximarem do “empoderamento” do homem.

    Eu, particularmente, prefiro as doces “sapotis”.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome