A banalização da culpa

A história da jovem Daniele Toledo do Prazo, de 21 anos, é um dos casos mais escabrosos que já li na imprensa. E certamente motivará um inquérito pesadíssimo contra os autores dessa barbaridade.

Daniele tinha uma filha de 4 anos com doença grave. Tratava-se no Hospital Universitário de Taubaté. Dependia do Hospital. E, por conta dessa dependência – segundo matéria de Laura Capriglione, na “Folha” de hoje – no dia 8 de outubro foi estuprada, segundo ela por um quintanista residente do Hospital. “Ele me ameaçava e dizia, enquanto me estuprava, que sabia que eu precisava do hospital para cuidar de minha filha”, conforme o relato de Daniele a Laura.

No hospital, sabia-se que era portadora de uma doença grave, embora não diagnosticada, que a obrigava a tomar cinco remédios por dia, um deles um pó branco. Nos últimos quatro meses, havia sido internada por diversas vezes na UTI.

No dia 25 de outubro, última alta da menina, duas médicas assinaram uma carta de encaminhamento, autorizando-a a ir diretamente ao Hospital Universitário, sem passar por exames prévios, em caso de nova crise da filha, tal a gravidade do seu estado.

No dia 28, Daniele correu novamente ao Hospital. Recusaram-se a recebê-la. Exigiram que passar antes pelo Pronto Socorro Municipal. Chegou lá às 20:30, só conseguiu ser atendida às 04:25, quando recebeu glicose na veia. Nesse momento, foi coletada uma substância branca na língua da criança, e encaminhada para o Instituto de Criminalística.

A menina morreu às 10:30 do dia 29. O oxímetro (que indica a ausência de pulso da menina) ainda estava apitando, indicando sua morte, quando o ambulatório foi invadido por uma certa dra. Érika, que arrastou-a pelo braço acusando-a de assassina. Ou seja, em apenas quatro horas havia um laudo toxicológico, feito em cima de vestígios de pó, sendo taxativo sobre a existência de cocaína.

Sem tempo para prantear a filha – conta Laura, em um relaro minucioso –, Daniele foi jogada em uma cela da cadeia pública de Pindamonhangaba. Lá foi espancada por 18 presas, que chegaram a enviar uma caneta em seu ouvido. Saiu inconsciente para um Pronto Socorro.

Dias atrás, o Instituto de Criminalística constatou que o pó branco encontrado na mamadeira, e encontrado na boca da criança, não era cocaína. 38 dias para um laudo que a absolvesse; contra as seis horas do laudo que a condenou.

Daniele foi libertada ontem. “Chorou”, conta Laura, “e conforme havia pedido à advogada Gladiwa de Almeida Ribeiro, foi para o cemitério visitar o túmulo da menina”.

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