A batalha do crescimento

Para mudar o país, antes tem que mudar a agenda. O PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) conseguiu introduzir uma mudança fundamental: a de que sem crescimento, nada dará certo. Os dados macroeconômicos do programa criaram uma armadilha positiva. Essa foi a primeira batalha na mudança da agenda.

A segunda batalha será em torno do chamado PIB potencial, limite de crescimento definido arbitrariamente pelo Banco Central, a partir da qual supostamente haveria riscos de inflação. Segundo especialistas diretamente envolvidos com o PAC, dá para ganhar essa discussão também. Os “modelitos” do BC, ao definir um PIB potencial de 3,5%, balizam a política monetária de tal maneira que a profecia se realiza.

A mãe de todas as batalhas será demonstrar que sem desvalorização do real, não haverá como conseguir crescimento. O argumento do Banco Central será que mexer no câmbio trará de volta a inflação. O contra-argumento é que ou o BC trabalha com meta de inflação ou com meta cambial. Será o lance final para o espetáculo do crescimento. Mas há pouca esperança de que aconteça ainda neste governo. Em Lula, a esperança ainda não venceu o medo. E a prova maior foi o comportamento do Copom (Comitê de Política Monetária) em sua última reunião.

O dilema é que o PAC poderá acrescentar meio ponto ao PIB. Mas o câmbio, sozinho, subtraiu 1,2 no ano passado e vai subtrair mais agora. É uma ciranda ingrata. O consumo cresce, mas, na hora de bater na produção, o câmbio desvia para importações. No ano passado o crescimento poderia ter sido superior a 4 pontos. Não foi exclusivamente por conta do efeito direto do câmbio.

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