A burocracia do meio ambiente

De um leitor:

Trabalho no DAIA (Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental) há 3 anos e no Sistema Ambiental há 18. A burocracia citada é só o topo do iceberg.

Visão de dentro (portanto, parcial): 70% do corpo funcional é terceirizado (contratos FIA – fundação da FEA e muitos estagiários); o corpo estável é principalmente contratado via CETESB e muito antigo.

Acompanhamos desde empreendimentos simples (reparo) até os de grande porte como o Rodoanel. Temos o Ministério Público a nos fiscalizar por qualquer deslize; não há infra-estrutura. Fazemos vistorias em lugares distantes, dirigimos (não há motorista no momento), tiramos fotos, fazemos o parecer (hiper-detalhado e burocrático), fazemos memorandos e ofícios (as secretárias são estagiárias geralmente com péssima formação); encadernamos processos imensos (por falta de pessoal) com grampos que cortam os dedos (adquiridos por licitação).

Tem mais, mas penso que assim dá para ter uma idéia. Enfim, a sensação aqui de dentro é a de que este sistema desmoronou há muito tempo, ninguém se preocupou em reestruturar e o que sobra é a vaidade dos políticos que por aqui passam e se vão, além da ambição dos que estão nos cargos de salários mais altos (e são muitos mais do que se possa imaginar).

Por último: são cinco postos entre o meu posto (técnico de nível universitário) e o Secretário de Meio Ambiente, no topo sistema. Até os documentos percorrerem esse caminho…

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