A canibalização da TAM

Não há lógica empresarial que explique o desmonte ao qual foi submetida a TAM na gestão Marcos Bologna, em um momento em que a empresa registrava os melhores resultados da sua história — não por seus méritos mas pela concentração de mercado e queda do dólar.

Os ganhos desses anos poderiam ter sido utilizados para consolidar um novo patamar da companhia. Em vez disso, o que se viu foi uma busca sôfrega por resultados imediatos a qualquer preço, comprometendo o futuro da companhia.

Qual a lógica por trás desse suicídio? Só pode estar na perda de controle dos acionistas sobre os atos dos executivos. Sempre que uma diretoria tem consciência de suas limitações, não tem segurança sobre seu futuro e não tem respeito pela companhia, ocorre esse processo de canibalização da imagem da companhia, buscando o melhor resultado no prazo mais curto possível. Garante-se o bônus e os sucessores que descasquem o abacaxi da imagem prejudicada, dos sistemas de controle e de qualidade arrebentados.

A história empresarial recente está repleta de exemplos semelhantes.

Essa história de, em pleno incêndio, a companhia continuar sofregamente a vender passagens é um desespero que não se justifica pela situação financeira da empresa. O desespero é dos executivos, não da companhia.

Do lado de fora, dá para se ver o desmonte dos controles naquilo que chega até o consumidor. Se a parte mais visível está esse estado, como estariam os controles internos?

Que a família Rolim abra os olhos enquanto é tempo. A empresa está claramente passando por uma crise de governança de proporções consideráveis.

PS – Alguns leitores solicitam o link da coluna que escrevi em 22 de agosto passado sobre a decadência da TAM. Clique aqui.

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