A competição virtuosa

Atualizado às 15:00

Acho que algumas pessoas não entenderam o que está ocorrendo no jogo político, em torno das bandeiras do social, da gestão e do desenvolvimento.

Fernando Collor, lá trás, trouxe a idéia da abertura e da modernização. Era uma bandeira política que ele perdeu por conta do “impeachment”.

Fernando Henrique Cardoso tentou empunhar a bandeira da modernização, mas acabou comprometendo-a pela ausência de um projeto nacional, pela de falta de uma bandeira social e, principalmente, pela ausência de coragem de enfrentar os erros da política cambial.

Com o esgotamento precoce de bandeira FHC, algumas forças-chave emergiram na opinião pública, embora a mídia tradicional tenha enorme dificuldade para entender os novos conceitos.

São três as idéias-chave:

1. Economia com social. Não se aceita mais discutir política econômica sem colocar o foco no social. O Lula do primeiro governo pegou a bandeira, especialmente a partir do Bolsa Família. O do segundo entendeu o recado das urnas, aumentou o salário mínimo e acabou com as manobras contra a Previdência. Mas poderá ser derrotado pela falta de coragem de encarar o câmbio, como FHC.

2. Gestão. O Aécio Neves conseguiu empalmar essa bandeira, que estava dando sopa para FHC com a reforma administrativa de Luiz Carlos Bresser Pereira, e o presidente abandonou.

3. Desenvolvimento. Esta é a bandeira vaga, que José Serra está se habilitando a pegar.

Antes das eleições, alertava-se aqui para a notável confluência de fatores políticos que se desenhava, com a eleição de Lula e de uma geração diferenciada de governadores. Eles acabariam promovendo a competição virtuosa.

Analise bem. Lula abraçou o social. Mas não tem projeto claro de país, nem força para enquadrar o Banco Central — que derrubou o PAC dois dias depois de ser lançado.

Com isso, Lula abriu a guarda , e por ele entrou José Serra demarcando espaço, inclusive dentro do seu próprio partido, ao investir pesadamente contra os princípios defendidos pela Casa das Garças -e aceitos pela “jurisprudência” jornalística.

Se Lula não se posicionar frente ao BC, perde a bandeira-síntese para Serra. O mesmo ocorrerá com o Aécio.

Por outro lado, se Serra não investir fortemente no social e na gestão, perderá espaço para os dois outros pólos.

Antes da economia, vem a política. A pouca sensibilidade em relação a esses movimentos prévios é que vai deixar doidinhos alguns comentaristas que passaram os últimos oito anos demonizando os princípios que, agora, começam a aceitar, porque partindo do Serra. Ainda estão meio grogres com o PAC e com a nova contabilização da Previdência.

Mas essa perda de rumo é fundamental para a construção do novo rumo.

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