A luta contra a ortodoxia

Enviado por: Luiz Horacio

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Concordo com você quando reclama da ortoxia, mas o “remédio” talvez não agrade quem já se acostumou com o discurso econômico atual.

Não vejo como alcançar um nível de crescimento acima da mediocridade de qualquer programa tecno-burocrático sem mudar o pensamento econômico.

Os americanos não geram apenas riquezas, Eles, de tempos em tempos, geram novas economias, com todo o seu contexto, de Henry Ford a Bill Gates. Do lado oposto, a China construiu a sua base econômica para a modernidade, para mais de 1 bilhão de habitantes, sem matar ninguém de fome, usando o conceito chinês de capital-trabalho, isto é, fugindo em grande parte do monetarismo, antes de Hong-Kong voltar para eles.

O Brasil para crescer, enquanto não se torna uma potência criadora de “novas economias” precisa encontrar espaços onde a riqueza ainda não está. Precisa aproveitar melhor os seus recursos, e a população, integrá-los e administrá-los melhor, ou seja, novas práticas e prioridades econômicas. A economia popular é vista com desdém, o terceiro setor é visto com desdém, a economia terciária também, mas esse é o campo aberto para o crescimento, que esbarra na economia política brasileira, na sua visão estratégica de cuidar apenas do “top” e do “macro”, integrando-o ao capital internacional.

Mas esse campo não é controlado pelo Brasil, nem por brasileiros, e o país já possui um nível muito bom de desenvolvimento nessa área. Seria difícil crescer mais nessa direção, agora. Falta a base, a infraestrutura, o pensamento, e o voltar-se para o enriquecimento das áreas pobres brasileiras, das populações desfavorecidas. Este é o caminho para uma “nova economia” brasileira, que aumente o universo econômico brasileiro, criando novos agentes, novas formas, e sabendo aproveitar a extrema, enorme, escandalosa, gritante ociosidade econômica, quando vista por esses outros prismas do pensamento econômico, às vezes por puro preconceito, pois os interlocutores mais autorizados e legitimados não querem pensar como um país pobre pensaria, para tratar dessa base econômica mal aproveitada.

Querem sempre pensar como os ricos pensam, e assumem imediata e eternamente o pensamento prestigiado e estabelecido da economia, ou procuram cardeais da Economia que seguem os modelos dos países ricos, para que “não fiquemos para trás”, mas é isso que está atrasando. Então, a culpa não é só do governo Lula, pois se ele começasse a expor esses argumentos, seria de novo tachado de “pai dos pobres”, de visionário, de “populista”, ou de “sonhador”. O pensamento e o poder de reflexão dos economistas e investidores brasileiros está precisando de uma urgente ampliação. Seria até engraçado, se não fosse triste, verificar frequentemente que o que os “ortodoxos” e “conservadores” na economia brasileira, tendem a incorporar as concepções dos países ricos, mas acontece que “lá” eles não pensam da forma como a nossa “importação” faz.. Na verdade, eles a criticam, pois a importação é sempre parcial e distorcida.

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