A perda do referencial

Enviado por: cesar

Nassif

Como sempre, andas te superando. Parabéns!

Eu dizia em conversas privadas, antes do primeiro turno, que achava interessante que a eleição estava passando ao largo de São Paulo. Que era necessário despaulistizar a política brasileira, porque a realidade nacional é maior. Mas que tinha medo que, num segundo turno, dependendo do tipo de eleitorado e região, começassem coisas absurdas, que é o que parece estar acontecendo. Tipo só pobre e ignorante vota no Lula, “formador de opinião” e rico vota no Alckmin; as regiões mais atrasadas votam Lula, o progresso vota em Alckmin.

A par da falácia- afinal, as ditas regiões do progresso estão, literalmente, em crise econômica e perda de prestígio nacional- o viés do preconceito é evidente. E incrível: tenha sido justamente o Lula- criticado por estes como “ignorante”- que tenha dito que a questão de votar nos ricos e nos pobres e nos estados atrasados ou nos ricos era muito mais complexa que isto. Vide a primeira entrevista. E, como bem salientaste, as coisas estão acontecendo passando por cima dos coronéis ou “donos de Estados”, como Jereissati, ACM e cia. Aliás, a análise do Bóris Fausto no dia da eleição já antevia isto, aliado à pressão pela “força” no tratamento com a Bolívia. O artigo de “defesa” do Lula na mesma FSP do domingo da eleição foi bem mais sóbrio e problematizava bem mais as coisas. No mais, é isto.

O que talvez mais choque estes “analistas” é o que eles vêem como discrepância de comportamentos entre os mais pobres e os mais ricos. E como a imprensa e parte dos intelectuais só pode trabalhar com as noções de populismo ( este conceito não seria anacrônico para um Estado que não é de bem -estar social?) ou de coronelismo, fica difícil de ver porque os “ignorantes” não votam, desta vez, no Alckmin, tal como fora a vantagem de FHC nas últimas eleições.

Talvez seja necessário um pouco mais de sofisticação nas análises. Afinal, isto não explicaria a vitória de Lula em MG, RJ e perda em dois Estados do Norte, além da vitória estrondosa na Bahia. Mas eu sou formado em direito, e não cientista político. No mais, o que reclamas do Lamounier, poderia ser estendido ao Álvaro Moisés ( que fez grandes contribuições para a democracia participativa e as eleições), o Weffort ( que ficou perdido no seu referencial da década de 60) e muitos outros.

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