A planilha de uma célula só

Em sua coluna de hoje no “Valor” (clique aqui), o economista Fábio Giambiagi, do IPEA, se excede. Todos os males do país não vêm mais da saúva, mas dos gastos correntes. E comete esse primor de visão histórica:

“Tivéssemos sabido controlar a evolução do gasto corrente nos últimos 15 anos e hoje estaríamos crescendo como a Coréia”. É inacreditável as baboseiras que se escrevem para conseguir escapar da repetição infinda de clichês. No ano passado, não conseguia entender como esse povo insensível não via melhoras na economia (ainda não se tinha o cálculo do crescimento pífio daquele ano). Sua explicação foi a de que havia muita insegurança nas ruas, não por falta de verbas, mas por leis pouco severas. E o povão confundia o mal estar com a segurança com o mal estar com a economia.

O que Giambiagi propõe antes, agora e depois, é a redução de gastos sociais, que, segundo ele, servem apenas “para financiar um assistencialismo de péssima qualidade”. O “assistencialismo de péssima qualidade” é monitorado por seu colega do IPEA, Ricardo Paes de Barros. E se fosse de “ótima qualidade”, valia?

Para Giambiagi, é evidente que não. Seu único ângulo de visão é a solvência das contas públicas, para poder pagar os juros mais altos do mundo. Em sua série de “recomendações” para o próximo governo, não entram investimentos em infra-estrutura, educação, saúde, não entram estratégias comerciais ou diplomáticas, não entra inclusão social. Só a solvência das contas públicas. É o dono da planilha de uma célula só.

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