A política econômica em 2007

Coluna Econômica – 04/10/2006

O que ocorrerá com a política econômica em 2007? Aparentemente, pouca coisa.

Na hipótese de Lula ser eleito, Guido Mantega será mantido no Ministério da Fazenda. Está em curso um movimento subterrâneo no Palácio visando convencer Lula a substituir o presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Por enquanto, o favorito é Ilan Goldfjan, ex-diretor do BC, ex-sócio de Armínio Fraga em seu fundo de investimento.

Ilan é um homem de mercado tecnicamente mais bem aparelhado do que os cabeças de planilha que dominam atualmente o COPOM (Comitê de Política Monetária). Mas o máximo que ousará será aparar a política monetária dos exageros da turma atual.

Dependerá de Lula qualquer passo mais drástico, de acelerar queda de juros e promover uma desvalorização do real antes que a crise internacional pegue o Brasil de calças curtas. E Lula definitivamente não é homem de grandes decisões.

Na hipótese de Geraldo Alckmin ser eleito, a figura-chave será Yoshiaki Nakano. É economista com idéias muito claras sobre política monetária, defensor da redução dos juros e da desvalorização do Real.

Mas uma coisa é a teoria, outra é sentar na cadeira. A tese dos juros elevados e do real apreciado é sustentada por enorme alarido de mídia. O próprio Ilan, em artigo ontem no “Estadão”, defende idéias estapafúrdias, nas quais provavelmente nem ele mesmo -como economistas racional—acredita. Diz que enquanto a economia não for eficiente, não se poderá reduzir os juros e desvalorizar o câmbio. É algo tão non-sense quanto dizer que enquanto fulano não sarar da infecção, não poderá tomar antibiótico.

Como reagiria Alckmin ante esse impasse, de ter que enfrentar o alarido ensurdecedor dos clichês? Sua gestão em São Paulo não o recomenda também como homem de grandes decisões.

Por isso mesmo, a não ser no caso de alguma crise internacional antecipada, o máximo que ocorrerá, no próximo governo, será um abrandamento dos rigores da política monetária – que, na composição atual do BC, é muito mais fruto da insegurança operacional e da insuficiência técnica da atual diretoria, do que de uma visão programática.

País dos grandes

O governo Lula toma uma medida supostamente para beneficiar exportadores, ao permitir que seus dólares fiquem no exterior por até um ano. Quem se beneficia? Poucos grandes exportadores que têm altos índices de componentes importados em sua produção. Todos os demais carecem de capital de giro e jamais deixariam os recursos no exterior por esse período.

O ex-governador Geraldo Alckmin decidiu aliviar as empresas exportadoras que têm crédito de ICMS a receber (os impostos estaduais que elas acumulam quando exportam). Autorizou que pudessem ser convertidos em investimento em São Paulo. Valor mínimo? R$ 50 milhões. Só grandes empresas, do nível das montadoras, têm cacife para tanto.

No fundo, Lula, Alckmin, o mestre maior Fernando Henrique Cardoso, aprenderam a administrar para as 150 maiores empresas brasileiras, e para o sistema financeiro. É uma praga bem brasileira que independe de partidos e convicções políticas.

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