A publicidade oficial

Boa matéria do Fernando Rodrigues, na “Folha” de hoje, sobre a publicidade oficial. Levantou vários ângulos, da distribuição de publicidade para a televisão até a audiência dos diversos canais.

O que se conclui do levantamento:

1. Todos os canais tiveram diminuição da propaganda do governo em 2006, menos a Record.

2. A publicidade na Bandeirantes caiu de R$ 38 mi em 2005 para R$ 31,4 mi em 2006 (até novembro). A da Rede 21 (onde está o Gamecorp) de R$ 3,4 mi para R$ 1,1 mi. O decréscimo nas duas frentes. Durante todo o ano a revista “Veja” apontou a Bandeirantes como beneficiária da publicidade oficial, depois que iniciou a parceria com a Gamecorp. Cadê a comprovação?

Rodrigues levanta uma boa gama de informações. Mas persiste o velho problema do escorpião, na hora das interpretações.

Por exemplo:

1. “Em 2003, a Record só ficou com 6% dos R$ 568,5 milhões de dinheiro público gasto com emissoras televisivas. Ao SBT coube 14,5%. Agora, a Record tem 12,8% e o SBT fica com 14,8%”. A mesma matéria informa que de 2003 a 2006 a diferença de audiência entre as duas emissoras despencou de 11 pontos para apenas 4. De 2005 para 2006 caiu de 9 para 4 pontos.

2. Uma outra comparação é entre a participação de ambas na audiência e na publicidade. A Record teria ficado com 12,8% da publicidade federal contra 14,8% do SBT – contra uma audiência de 13 e 17 pontos respectivamente. Acontece que os dados levaram em conta a audiência total do dia, quando deveriam focar preferencialmente o horário nobre. O forte do SBT é a audiência infantil, enquanto a Record investiu no horário nobre. Seria estranho Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobrás anunciarem no Chaves ou em desenhos. Segundo informações que Rodrigues colheu junto à Record, de 2004 a 2006 a publicidade total na rede cresceu 147%. Aumentou para anunciantes privados e para anunciantes públicos.

3. Lembre-se que, quando o Canal 21 mudou a programação e abriu mão do jornalismo, perdeu o patrocínio da Caixa Econômica Federal, porque seu foco não era o público jovem.

Ou seja, à luz dos próprios dados levantados por Rodrigues, o aumento da publicidade na Record tem fundamento técnico. Que dados, então, sustentam o intertítulo da manchete principal de que o “aumento coincide com a reestruturação de programas e a saída de Boris Casoy”? É possível que tenha havido barganha. Mas cadê o fato que embasa a suspeita?

A nota oficial da Abril, divulgada na “Veja” desta semana, respondendo à Bandeirantes, informa que “assume plena responsabilidade por tudo o que publica e divulga”. Não é a mesma coisa que “a Abril age com plena responsabilidade em tudo aquilo que publica e divulga”.

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