A “síndrome do escorpião” e EJ

A carta de Eduardo Jorge, publicada no Painel do Leitor de hoje na “Folha”, reprisa um filme repetido tantas vezes, que não consigo entender sua lógica,

No começo do ano, quando Eduardo colecionava uma série de sentenças inocentando-o das acusações de procuradores e da mídia, e já conquistava vitórias nas ações judiciais contra veículos que mancharam sua honra, saiu matéria na “Folha” acusando-o de “esquentar” dinheiro para a campanha presidencial do PSDB.

Hoje, no Painel do Leitor, Eduardo conta que o Juiz do caso sequer aceitou a instauração do processo, por não ver fundamento na acusação. Atribuiu a operação à velha revanche de procuradores contra ele. E acusou o jornal de ter suprimido as explicações que ele deu para a matéria de janeiro. O leitor foi enganado em janeiro, porque a disputa do jornal contra Eduardo Jorge levou a reportagem a suprimir suas explicações.

O “Painel do Leitor” é um espaço democrático na imprensa, assim como o Ombudsman, criações da época áurea da “Folha”. Ambas as instituições são fundamentais não apenas para reparar injustiças e exageros, como para dotar o jornal de radares para coibir abusos. Só que coibir abusos significa tomar atitudes internas, à luz dos fatos trazidos pelos dois observatórios.

Como nada acontece, sua única função acaba sendo a de explicitar os erros da “Folha”, jamais a de prevenir ou aprimorar. Perdem duplamente, os leitores que sempre necessitarão o Painel para completar as informações que as reportagens suprimem (no caso da última denúncia contra Eduardo Jorge, aguardando quase um ano) e o jornal que, em vez de se valer do Painel e do ombudsman como elementos de aprimoramento da cobertura, quase se valem deles como álibi para perpetrar absurdos.

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