A sociologia dos chats

O início da era dos chats, dez anos atrás, propiciou os primeiros encontros e conversas virtuais. Era um mundo novo, onde a figura mais manjada era um tal de Edson, que freqüentava as salas da UOL. Ele também se apresentava como Cientista, Pesquisador, Sylvio. Às vezes entrava com nick feminino, soltando a franga.

Seu perfil daria excelente material para algum pesquisador estudar as características das salas daquele tempo, e a maneira como interferiam nas relações sociais, criando novos tipos de ambiente propício às catarses e ressentimentos, especialmente nos tipos mais travados.

Nas salas, as pessoas mais superficiais não podiam se valer dos símbolos de status dos encontros ao vivo, como carrões, roupas bonitas, cartão de crédito especial e coisas do gênero. No ambiente em que as pessoas não se viam fisicamente, o predomínio era da escrita. A maneira dos Edsons mostrarem status era se jactarem do currículo, ou da capacidade de escrever um pouco melhor que a média, ou de fantasiar a própria biografia. Mas a motivação e as carências eram as mesmas dos comendadores com seus carrões.

O perfil do Edson era revelador. Professor universitário, algo complexado com a falta de reconhecimento dos pares e das moças, se valia das salas para transbordar agressividade. Era provocador do feitio dos adolescentes desajeitados que querem chamar a atenção. E aproveitava o fato das salas terem, em sua maioria, público leigo, para tentar conseguir o reconhecimento que não tinha dos seus pares.

O tempo passou, as salas perderam o encanto inicial, mas a tendência megalo-virtual dos Edsons se manteve em outros ambientes virtuais.

Está faltando alguém para estudar as transformações que os chats trouxeram para a vida social, especialmente em sua primeira fase. E a maneira como parte desse público migrou para os blogs.

Se tiver algum especialista interessado, poderá pesquisar nos comentários do blog ou me solicitar os comentários que tenho bloqueado da parte dos diversos alter-egos do Edson.

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