A viúva do milionário

Soltei várias notas sobre o caso da viúva do milionário da mega-sena, e disse que se estivesse cobrindo o caso, fugiria da “jurisprudência” jornalística e trataria de analisar outras hipóteses, que não a da culpa da viúva.

Bastava raciocinar em cima de um fato apenas. Ela foi presa com base em escuta telefônica, mas as escutas não foram divulgadas — em um país em que até suspiro de pernilongo grampeado é divulgado. Era óbvio que se as escutas fossem incriminadoras, seriam imediatamente divulgadas. Só isso seria suficiente para procurar outros caminhos, mesmo que não levassem a nada.

A repórter Renata Granchi, do G1 (o portal de notícias da “Globo”) resolveu abandonar a “jurisprudência” e fazer jornalismo.

Manchete de ontem:

“Escutas telefônicas liberadas não comprometem a viúva da Mega-Sena” (clique aqui)

Escutas telefônicas liberadas pela Delegacia de Homicídios sobre o assassinato do milionário da Mega-Sena, Renné Senna, morto no dia 7 de janeiro, em Rio Bonito, revelam trechos de conversas da viúva Adriana Almeida com seu advogado Alexandre Dumans. Dos cinco trechos divulgados, dois são de uma conversa de Adriana com um homem que atende pelo nome de Augusto.

A repórter Patrícia Kappen seguiu a pista.

Manchete de hoje:

“Gravavação de conversa entre milionário e advogado pode inocentar viúva”, de (clique aqui).

Segundo o advogado de Adriana, irmão de Renné ameçava a filha do milionário.

Prova já está com a polícia, mas só será analisada na segunda.

Renata contou a Augusto das ameaças do tio. O então advogado, depois de registrar o caso na delegacia, foi à casa de Renné, acompanhado de Chicão, um outro irmão do milionário. Augusto contou para Adriana e Renné sobre as ameaças que Renata estaria sofrendo. De acordo com Dumans, a conversa foi gravada por Augusto, que já apresentou a prova para a polícia.

Observação

Assim como estranhei a incriminação tão rápida da viúva do milionário, e chamei a atenção para a possibilidade de ele estar sendo vítima de um achaque, também estranho a rapidez com que foi descoberto outro suspeito.

Pelo sim, pelo não, sem ousar duvidar da digna polícia carioca, se eu fosse o governador Sérgio Cabral Filho trataria de colocar pessoas de confiança para analisar o que está ocorrendo com esse caso.

A cada dia que passa, mais fica forte a impressão de um caso intencionalmente mal conduzido. Se a viúva é presa com base em escutas (que não são divulgadas), e as escutas não eram suficientes para incriminá-la, a quem interessou sua prisão?

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