A viuvinha da mega-sena

Repito: até pode ser que Adriana Almeida, a viúva do milionário da Mega-Sena seja a culpada da morte o marido. Mas os motivos até agora alegados para mantê-la na prisão, ou mesmo considerá-la suspeita são canhestros.

Segundo o “Globo” de hoje, na matéria “Delegado: viúva teria planejado o assassinato”, o delegado Roberto Cardoso diz ter “encontrado indícios” de que ela planejou a morte do milionário. Como, só agora, se a viúva está detida há uma semana. O indício é que três dias antes do assassinato ela foi expulsa da casa por suspeita de infidelidade conjugal.

A partir dessa prova formidável, diz o delegado que “posso admitir que há indícios que levam a crer que a morte foi articulada pelas seis pessoas que estão presas”. Ele “pode admitir” que “há indícios” que “levam a crer”…

Fantástico! Toca a prender todo mundo.

O indício seria o medo de Adriana ser retirada do testamento por Renné.

O indício que incrimina o segundo suspeito, o motorista Ednei Gonçalves Pereira é o fato de ter sido empregado por indicação do terceiro suspeito, o ex-PM Anderson Silva de Souza, que é suspeito por ser amante de Adriana e ter sido demitido uma semana antes pelo milionário.

É possível que o criminoso esteja entre os suspeitos. Mas essa prisão em massa, em cima de indícios tão tênues, é puro abuso de autoridade.

A principal suspeita da morte do coronel da PM, em São Paulo, continua solta. Nem acho que deva ser presa antes do julgamento. Não compactuo com a idéia de que a isonomia se dá em torno do desrespeito universal aos direitos individuais.

Mas certamente a condição social dos suspeitos tem sido fator determinante para esse “prende antes, comprova depois”.

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