A volta de Mr. Hide

Depois de um período como Mr. Hide, na coluna de hoje na “Folha” Luiz Carlos Mendonça de Barros retorna como Dr. Jekkil. Como Hide ele dizia que a realidade cambial veio para ficar e o Brasil teria que se conformar com isso. (Dr. Jekkyl e Mr. Hide são personagens do romande “O Médico e o Monstro”)

Como Jekkyl, ele recorre aos estudos da seríssima MBA (Mendonça de Barros e Associados), uma das consultorias mais técnicas e responsáveis do país, e admite que, se nada for feito, o Brasil se tornará um produtor de commodities, já que não tem condições competitivas para se transformar em produtor de serviços.

Essa história de produtor de serviços (que o Luiz Carlos admite não ser possível para substituir a desindustrialização) me lembra o Arminio Fraga em 2002. Pouco antes da quebra da Argentina conversei com ele. Armínio sustentava que bastaria a dolarização para resolver tudo. Ponderei que, naquele nível de câmbio, dolarização significaria condenar a Argentina à desindustrialização. E ele, com o ar superior dos que se acham da cúpula mundial que conseguiu erradicar a política do comando das economias: “Eles que se conformem em serem produtores agrícolas e de serviços”. Fiz a perguntinha básica: “E você já combinou com os argentinos?”

Bem vindo de volta ao mundo real, Luiz “Dr. Jekkyl” Carlos. E que o Mr. Hidecontinue restrito apenas à mesa de operações.

Como Dr. Jekkyl, aliás, o Luiz Carlos até abandonou um pouco o estilo confessional de “compartilhar com os leitores” pensamentos e raciocínios.

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