A vontade de ousar

A reação de Lula ao “pacote fiscal” do Ministro da Fazenda Guido Mantega tem uma parte boa, outra ruim. A boa é que Lula demonstrou vontade de ser muito mais audacioso. A ruim é que ele não tem a menor idéia sobre o que e como fazer.

É um bom momento para a ala racional do governo – que inclui a Ministra Dilma Rousseff, o Ministro Tarso Genro, o próprio Mantega, Nelson Machado, da Previdência, Fernando Haddad, da Educação – propor um seminário rápido para definir o tal “grande plano”, que não pode ser concebido em cima da perna, como o plano de Mantega.

Esse plano tem que ter a perna da gestão, com um mergulho decidido na burocracia pública. Já se tem a experiência relevante do trabalho que está sendo realizado hoje na Previdência. Tem-se a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que obrigará à integração de sistemas federal e estadual, avançando na desburocratização. Têm-se as experiências fundamentais, e abandonadas, de Hélio Beltrão no Ministério da Desburocratização. O desafio é juntar tudo isso em um plano de metas, assessorado por especialistas de dentro e fora do governo. As idéias existem: é necessário sistematízá-las e priorizar.

A segunda perna é a do planejamento estratégico. E aí tem que se olhar o trabalho do coronel Oliva no Núcleo de Assuntos Estratégicos do governo.

Não se pode perder esse momento de vontade de ousar de Lula. No Brasil, essa doença atinge presidentes uma vez apenas em cada quinze anos.

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