Alckmin e os senhores da guerra

Dificilmente Geraldo Alckmin venceria as eleições. Mas sua queda no segundo turno tem razões muito claras.

O marqueteiro da campanha de Alckmin, Luiz Gonzáles, montou uma estratégia inicial de primeira. Inicialmente, tornaria Alckmin conhecido do público. Depois, apresentaria suas idéias. O candidato não deveria se envolver com ataques a Lula, por uma razão bem simples: a mídia inteira já estava no ataque, além das principais lideranças do PSDB e do PFL, e atacando o governo de uma forma não-civilizada. Alckmin seria o contraponto educado, civilizado, aliás, bem conforme o seu perfil.

Mas as pressões para que vestisse a armadura de gladiador foram insuportáveis. Partiam da mídia, dos colunistas políticos, do PFL, do Tasso Jereissatti e de Fernando Henrique Cardoso. E aí não teve jeito. Alckmin perderia de qualquer jeito. Se não partisse para a guerra, Gonzáles seria acusado de ter errado na estratégia.

Deu-se o que a minoria belicosa pedia. Agora, só resta lembrar a campanha que poderia ter sido. Enquanto publicações apresentariam fotos do Presidente da República com marca de sapato no traseiro, comentaristas pediriam um novo Lacerda, denúncias reais se misturariam com ficções, Alckmin emergeria como o traço de civilidade na política, não para levar as eleições de agora, mas como cacife para jogos políticos futuros.

E Alckmin e Gonzáles foram contra sua intuição. Provavelmente essa decisão pode ter custado seu futuro político.

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