As contas do PCC

Nas últimas semanas os jornais noticiaram a perda de oxigênio do PCC, com o bloqueio da sua movimentação financeira. Foram quatro meses apenas para que parte da força do PCC virasse fumaça. E só foi possível por conta da entrada de Cláudio Lembo no governo do Estado.

Depois de quatro anos de implantação do Sistema Único de Segurança Pública, o Estado de São Paulo era o único do país que não tinha atendido a uma das exigências do programa: a criação de um Gabinete de Gestão Integrada, responsável por reuniões das cúpulas das policias Federal e estadual.

Com a entrada de Lembo, a inexplicável resistência do governo do estado foi derrubada e o gabinete implantado em 18 de agosto de 2006. A efetiva instalação do GGI em São Paulo foi feita dias depois de o Secretário Nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, declarar, em entrevista ao Projeto Brasil, que o desrespeito às condições estabelecidas pelo SUSP poderia dificultar ainda mais o repasse de verbas para o Estado.

A primeira reunião do GGI contou com o Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, Cláudio Lembo e os secretários Saulo de Castro Abreu Filho, Segurança Pública, e Antônio Ferreira Pinto, da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), a cúpula das polícias Militar e Civil e de representantes da Justiça e de forças de segurança estaduais e nacionais. No dia 24 de agosto, houve a segunda reunião do GGI paulista, que teve como pauta o combate à lavagem de dinheiro.

Dizia a matéria do repórter Guilherme Ferreira, do Projeto Brasil: “Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), muitas vezes, a polícia paulista não sabe como proceder quando prende suspeitos com informações bancárias ou portando cadernetas com listas de contas suspeitas. De acordo com a SSP, ter posse dessas informações nunca causou efeito algum já que o órgão não dispõe de ferramentas capazes de interceder em atividades bancárias”.

Com uma maior integração entre Estado e União, o resultado esperado é que o Banco Central, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e que a Secretaria Nacional de Justiça, através do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), possam bloquear contas e rastrear movimentações financeiras. De início, o Coaf está encarregado de investigar 412 contas bancárias suspeitas de pertencerem ao PCC.

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