As idéias e os métodos

A militante Ana entra no Blog e pergunta se não vou comentar a capa da “Carta Capital”. Digo que não sei qual é. A cobrança aumenta. Em Cuiabá, onde estava, a revista não havia chegado.

Quando leio a revista, julgo que é caso de comentar, não pelo patrulhamento, mas pelo mérito da reportagem. Depois, a militante Ana entra, não acha o comentário, porque não procurou direito, e volta a patrulhar.

O militante Pedro entra na aba de MÚSICA, não encontra a nota (que estava postada em outra aba), e desafia, indômito: “Que isso, Nassif ??? Encheu o blog com topicos de musica pra sumir com a coluna sobre a materia da Carta Capital ??? Ta achando que ninguem reparou ??? Que VERGONHA !!!”

Quem são? Lá sei eu. São dois valentes anônimos que pululam em tantos blogs, cobrando coragem alheia, patrulhando, tentando ganhar pelo elogio ou intimidar pela insinuação. Da mesma maneira que seu avesso do avesso. Não há diferença entre a esquerda xiita e a direita inculta. Se você escreve o que querem ler, torna-se o orgulho da categoria; se não escreve, é o jornalista vendido. Da mesma maneira, com o mesmo estilo, a mesma agressividade do seu avesso do avesso.

É evidente que há uma enorme massa de leitores incomodados com a parcialidade da cobertura jornalística. Mas, em relação aos militantes, a parcialidade é dos dois lados.

Se sai uma capa da “IstoÉ” atacando José Serra, pouco importa se está bem fundamentada ou não. Na mesma hora espalha-se pela net a celebração por parte dos lulistas, a indignação dos anti-lulistas, com a mesma rapidez com que se espalha a indignação dos lulistas e a celebração dos anti-lulistas com as capas da “Veja”. E ambas são filhas do mesmo tipo de jornalismo.

O problema não é ser anti ou pró-Lula ou Serra. O problema é o estilo, o patrulhamento, a desqualificação é atitude torpe em si. Os que atacam Lula hoje em dia, se permitem toda sorte de arbitrariedades porque há um inimigo a ser destruído. Os que o defendem, se permitem toda sorte de manipulações, porque há um inimigo a ser derrotado.

Os que defendem o procurador Mário Avelar são os mesmos que atacavam Luiz Francisco e Guilherme Schelb; os que defendiam Luiz Francisco e Guilherme são os mesmos que atacam Mário Avelar. E os três, Luiz Francisco, Schelb e Mário Avelar, são filhos de um mesmo processo espúrio, aproveitador, manipulador.

Enquanto não se entender que os métodos é que devem ser combatidos, independentemente do lado que se esteja, não haverá avanço na disputa política. Continuaremos sendo um país de golpistas, quando oposição, de contemporização, quando governo.

PS – O Blogueiro não tem controle sobre a maneira como mudam as páginas do Blog. Aliás, não tenho a menor idéia sobre como as páginas mudam. Presumo que depois de uma determinada quantidade de matérias, a página vire. O comentário sobre a matéria da CartaCapital foi postado ontem à noite. Quem não tiver encontrado, basta clicar no primeiro link, depois da “Página Principal”, lá em cima da home. Ou então, para facilitar, clicar aqui.

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