As idéias para o novo país

Vamos esperar passar esse clima eleitoral de catarse para começar a discutir a sério o país, sem esses clichês a categorizações ideológicas simplificadoras.

O país do futuro exigirá a identificação das melhores idéias e princípios, sem o filtro ideológico de enquadrá-los como esquerda ou direita.

Idéias são ativos que um país têm, que podem ter início em um ou outro agrupamento político, mas, depois de comprovada sua eficácia, se transforma em ativos nacionais.

O novo país será construído:

* pelas políticas sociais do SUS (Sistema Único de Saúde), modelo iniciado nos anos 60 pelos sanitaristas do velho partidão;

* pelos conceitos de gestão e qualidade, que começam a ser desenvolvidos ainda no governo Figueiredo, no bojo do acordo nuclear, e que ganham ímpeto no início do governo Collor;

* pelos conceitos de pesquisa e tecnologia que começam a ser plantados ainda nos anos 60, com a criação da Finep, depois nos anos 70, com a criação do CNPq e no final do governo Fernando Henrique Cardoso, com a criação dos fundos setoriais;

* pelo mercado de capitais e a indústria de fundos, e pela experiência que o país conquistou nos últimos dez anos com a análise de projetos;

* pelo sistema bancário, começando a se aprimorar nas modernas ferramentas de crédito;

* pelas políticas sociais abrangentes, das quais o Bolsa Família, criada no governo Lula, é a experiência mais bem sucedida;

* pela privatização bem conduzida e pelas parcerias público-privadas;

* pelo aprimoramento do modelo de Agências Reguladoras, criadas no governo FHC, e despidas do vício corporativista;

* pelo choque de gestão, como maneira de aumentar a eficácia da máquina pública e liberar recursos para áreas essenciais, como educação e saúde.

* pela integração ampla com a América Latina, para a criação de zonas de desenvolvimento, idéia que surge com Eliezer Baptista, no governo Collor, passa pelo conselho de Ministros do Panejamento do continente, no governo FHC, e se consolidará com a criação de cadeias produtivas envolvendo empresas de vários países;

* pelo conceito de cadeia produtiva, que surge nas Câmaras Setoriais do governo Collor;

* pelas idéias da integração competitiva com o mercado internacional, idéias que nascem no BNDES em meados dos anos 80, com Júlio Mourão.

* por uma indústria de defesa, capaz de gerar tecnologia de forma integrada com a universidade.

* pelos conceitos de direitos do consumidor e da ecologia, consagrados na Constituição de 1988.

A grande luta será conseguir pensar essas idéias como componentes de um todo. Nenhum do dois candidatos à presidência tem essa visão sistêmica de país, muito menos a mídia e os diversos centros de pensamento econômico.

O desafio político, ao qual os partidos deveriam se dedicar a partir de primeiro de janeiro, é começar a amarrar todas as pontas desses centros de excelência, para poder enxergar o todo.

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