Concursados e indicados

Enviado por: Carlos Alberto

Caro Nassif:

Essa questão do ensino universitário público no Brasil é tão complexa, que fica difícil até saber por onde começar a comentar.

Eu sou servidor público federal desde 1992, aqui, na cidade do Rio de Janeiro. Trabalhei primeiramente no tradicionalíssimo Colégio Pedro II, uma instituição federal de ensino, que se ocupa de ensino fundamental e médio. Depois, trabalhei na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente estou atuando em uma terceira, que prefiro não citar.

Por hora, vou falar de um problema que é comum em todas elas: o quadro de servidores técnicos-administrativos.

Sabe-se que a obrigatoriedade do preenchimento das vagas de servidores por concurso se deu a partir da constituição de 1988. Antes, as vagas eram preenchidas sem critério algum, se é que me entendem. Podemos citar o caso do falecido reitor da UFRJ, Horácio Macedo, fantástico professor de química e afins, mas péssimo administrador, que incluiu cinco mil novos servidores à UFRJ sem a realização de concurso público. Seu sucessor, Nelson Maculan, baseado na constituição de 88, desejava demití-los. Porém, antes de demití-los, convocou um concurso público para preenchimento de 1000 vagas. Como ele ia demitir cinco mil, tudo bem, segundo ele, fazer um concurso para mil.

Veja o abacaxi. Os cinco mil garantiram na justiça sua permanência, e os mil aprovados no concurso, garantiram a sua posse. Veja, o imbróglio passou de cinco mil para seis mil.

Durante a década de noventa poucos concursos foram realizados para preencher as vagas administrativas ociosas. Não podemos esquecer, Estado mínimo, lembram-se?. Então, o quadro de pessoal é antigo e mal-preparado, pois não entraram por mérito, entraram por indicação. Junte-se a isso a estabilidade no emprego, e temos um quadro caótico.

Na verdade, quem carrega o piano são os servidores que entraram por concurso após 1988. No entanto, eles são poucos e recebem os piores salários, pois não há plano de carreira, nenhuma conquista por mérito, e vários direitos foram alienados durante o governo FHC. Não é de imaginar que este servidor, que carrega o piano, fique tiririca da vida ao ver que o servidor mais antigo que ele trabalhe bem menos (quando trabalha), receba melhores salários e não demonstre nenhuma competência para o cargo que ocupa.

Diante desse quadro, difícil é entender como é dentro das IFES (Universidades Federais, Colégios de Aplicação, Escolas Técnicas Federais, Escolas Agrotécnicas Federais, Centros Federais de Educação Tecnológica, Colégio Pedro II) que ainda se faz a melhor educação do país. Sim, porque dentro dos inúmeros problemas dessas instiuições, considero o dos servidores técnicos-administrativos o menos complexo de todos.

Se o assunto continuar em evidência, enviarei comentários sobre outros pontos, como, por exemplo, o processo de admissão de novos profissionais ao quadro docente. Alías, outra tragédia da política do Estado mínimo. Grande parte do quadro docente das IFEs nos dias de hoje é compostos de professores visitantes, que são selecionados por processo simplificado, e só podem atuar na instiuição por no máximo dois anos, com carência de mais dois. Ou seja, quando está se adaptando, tem que ir embora, e só pode voltar dois anos depois, se desejar passar por todo processo seletivo novamente, é claro.

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