Copa do Mundo – 2

Do leitor André Araújo
A derrota do Brasil, como todas as derrotas, traz algumas lições. O mercantilismo excessivo destruiu os últimos sinais de jogo pela camisa e a Seleção perdeu a identidade nacional afogada no mar de grifes e interesses que exploram até o ultimo limie o futebol mundial e especialmente o futebol brasileiro. Naquele time já ninguém mais joga pelo Brasil enquanto sentir coletivo nacional.

As transferências de jogadores para o exterior acabam por esgarçar os laços patrióticos que se presumem representados pela cor da camisa. A formação de uma seleção de jogadores que moram e ganham no exterior levou à um time onde falta o cimento que une o grupo em torno de um objetivo comum, a pátria agora já longínqua.

Todos estão preocupados com seus contratos publicitários, negócios, contas e clubes. Essa seleção foi uma síntese desse mercado persa em que se transformou o futebol brasileiro.

Em cima dessa matéria prima falsa cavalgou uma mídia alucinada pelo faturamento que a Copa poderia representar, com exageros de todo tipo, apontados pela imprensa europia, principalmente a britânica.

Financiando a mídia um excesso de publicidade concentrada no futebol, como se esse fosse o único tema de um País importante. Uma publicidade cansativa, monotrilho, abusada e sem equilíbrio, minerando até o ultimo veio esse futebol já descaracterizado pela mercantilização.

O que se viu no campo foi um time apático, frio, sem nenhuma vibração, retrato final e acabado dessa teia de interesses de empresários, publicitários, negociantes de jogadores, cartolas, refletindo a mesma vibração emocional que uma acompanhante de boate tem ao encontrar um freguês da noite.

Como no Retrato de Dorian Grey, certos traços fundos de comportamento se refletem no físico e ao se transformarem em máquinas de ganhar dinheiro nossos atletas perdem alguma coisa, aquilo que o povo mais simples chama de raça ou amor à camisa.

Pode-se contestar dizendo quem outros países se dá o mesmo. Temo todavia que a escala no Brasil é maior, tanto do mercantilismo, como dos exageros da mídia, como da importância do futebol para o povo.

Das lições a aprender talvez a de ter na seleção mais jogadores radicados no Brasil ao invés dos canelas de vidro que faturam em euros e que não vão arriscar muito pela Seleção do País que ficou para trás.

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