Despedida da Folha

Depois de 15 anos de trabalho conjunto, estou de saída da “Folha”. Domingo será minha última coluna.

As razões estão ligadas ao momento atual da mídia e à minha empresa, Agência Dinheiro Vivo.

No final dos anos 80, a Agência foi a introdutora do jornalismo eletrônico no país. O projeto contava com o desenvolvimento de um clima de parcerias na imprensa brasileira, assim como de capitais de risco voltados para novas tecnologias. O ambiente ainda não estava pronto.

Agora, se entra na segunda grande onda de informações, com as novas tecnologias de convergência digital maduras, e os novos conceitos de parceria e trabalho em rede. Nos próximos dois anos deverá ocorrer uma mudança radical no panorama da mídia brasileira, com as novas ferramentas de convergência digital, além de perspectivas animadoras para empresas com potencial de inovação na área da informação.

Há cerca de seis meses, a Dinheiro Vivo vem trabalhando em novos projetos de tratamentos das informações na Internet, com ferramentas inovadoras. Esses projetos passam, necessariamente, por políticas de aliança com novos atores, que deverão surgir no processo de convergência digital, e também por atração de investidores. É um trabalho que exigirá de mim maior envolvimento e maior liberdade para montar parcerias.

Além disso, o Projeto Brasil (www.projetobr.com.br) de discussão de políticas públicas cresceu e vai exigir cada vez mais minha presença. No momento, conta com parcerias da Unicamp, Cepal (Comissão Econômica para a América Latina), Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Economia da FGV-SP, GVLaw, a Faculdade de Direito da FGV-SP, a Fundação Nacional de Qualidade, entre outros apoios.

A partir da próxima semana, a Agência passará a produzir duas páginas semanais sobre problemas brasileiros, com base no material do Projeto Brasil (www.projetobr.com.br) para a rede de jornais que constituem a APJ (Associação Paulista dos Jornais), que congrega os 16 mais importantes jornais do interior de São Paulo, perfazendo a tiragem de 413 mil exemplares aos domingos.

Nesse período da “Folha”, as idéias veiculadas pela coluna conseguir trazer uma contribuição, ainda que pequena, ao nosso país:

· Foi uma das responsáveis por convencer o ex-Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira a introduzir o prêmio de qualidade no setor público federal.

· Foi após uma série de colunas sobre Arranjos Produtivos Locais que o então Ministro-Chefe da Casa Civil Clóvis Carvalho decidiu enviar uma comitiva à Itália para entender seu funcionamento e implantá-lo no país.

· Uma série sobre saúde pública serviu de base para o início de trabalhos da gestão José Serra no Ministério da Saúde.

· As discussões do Projeto Brasil ajudaram a aprimorar a Lei de Inovação em cinco pontos, já no governo Lula.

· Nesse período, a coluna venceu todas as disputas de que participou do Prêmio Comunique-se na categoria Melhor Jornalista da Imprensa Escrita.

· A série de crônicas publicada aos domingos na “Folha” foi reunida no livro “O Menino de São Benedito” que mereceu menção honrosa do Prêmio Jabuti, na categoria conto/crônicas.

Foi uma fase muito rica graças à liberdade concedida pelo jornal. A interação com a sociedade civil se deu em inúmeros frentes, entre as quais o convite para integrar o Conselho do Instituto de Estudos Avançados da USP e o Conselho de Economia da FIESP.

A partir de agora, meus escritos se concentrarão neste Blog e nos endereços www.dinheirovico.com.br e www.projetobr.com.br

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