Detalhista de irrelevâncias

O que é o “cabeça de planilha”? É o sujeito que se aferra aos grandes agregados macroeconômicos, sem nenhuma preocupação em entrar na análise desagregada e qualitativa dos dados. Quando Nakano diz que Alexandre Schwartsman não consegue avançar além dos manuais de economia, era a isso que se referia.

Vamos aos detalhes que o Alexandre esqueceu de colocar em suas análises, justamente porque não constam dos manuais, mas do conhecimento sobre a realidade.

1. Ao analisar o crescimento das despesas do estado, Alexandre ignorou que existem vinculações orçamentárias obrigatórias. Como são percentuais da receita, aumentou a receita aumentou o repasse para essas contas. Só com Educação são 30%, com a Fapesp 1%, com Universidades estaduais 9 ou 9,5%. A PEC da Saúde, de 2.000 fixou uma vinculação de 12% da receita a ser alcançada até 2004. Esses aumentos independem de gestão: são obrigatórios.

2. Até o período de Nakano na Secretaria da Fazenda, o Estado não conseguia recolher o Pasep, por conta de medidas judiciais. A partir de 2003 passou a recolher não apenas o Pasep do ano como a parte atrasada. O manual não previa isso.

3. A partir de setembro de 2003 mudou forma de contabilização dos recursos do SUS. Antes os recursos iam direto da União para municípios. Depois, passa pelos Estados e são contabilizados como gastos de custeio. Representam de R$ 2 a R$ 3 bi ano, em um total de custeio de R$ 16 bi. Um dado expressivo disso, mas o manual do Alexandre não previa, porque manuais não prevêem repasses do SUS.

4. Cada vez que se fazem investimentos públicos (como hospitais, presídios, escolas), nos anos seguintes aumentam os gastos, porque prédio vazio não funciona. Onde estão as análises qualitativas sobre a natureza dos gastos? Em nenhum lugar porque Alexandre não avança além dos grandes agregados, porque o manual não ensina, nem o mundo lhe ensinou.

5. Se todos esses aspectos são ignorados em sua análise, pergunto: qual a relevância delas? Meramente pegar números disponíveis, colocar na planilha, sem dispor de nenhum conhecimento sobre sua natureza. Confirma apenas o epíteto que ganhou no mercado, de “detalhista de irrelevâncias”.

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