Do leitor

O etanol e a competição internacional
por André Araújo, a propósito do artigo “As ações no biodiesel”, da ABDI

Estimular outros paises a produzirem etanol? Faz sentido? Para tornar o etanol commodity? Mas o etanol já e, tanto que os grandes traders mundiais de commodities já operam o produto em larga escala, como a Cargill, que exportou em 2005 , 600 milhões de litros, algo como 20% do total exportado. Os EUA produzem mais etanol que o Brasil, 18 bilhões de litros contra 16 bilhões do Brasil, extraídos de milho, muito mais caro para produzir do que de cana, mas esse etanol é negociado como commodity há muito tempo., a ADM lá domina o setor.

Os concorrentes surgirão naturalmente e não vamos repetir a besteira do café e da borracha, dos quais já fomos os primeiros do mundo, depois superados por paises menores, mais espertos e mais ativos que nós.

No caso da borracha, as mudas da hevea que criaram as plantações da Malásia saíram do Amazonas, transportadas por botânicos ingleses. Até então (1914) o Brasil era absoluto na borracha natural. A tecnologia do etanol não é um segredo, a África tem terra a vontade apropriada, assim como a Indonésia, a Índia , o Sul da Ásia, a Austrália e muitos paises da América Latina e Central, as três Guianas, todo o Caribe.

Que história é essa de ensinar e incentivar outros? A nossa politica deve ser o oposto, manter ao máximo nossa liderança no etanol de cana até que outros, inevitavelmente e independentemente da nossa vontade, estimulados pela demanda crescente, vão produzir etanol em massa. Me desculpe mas essa conversa do diretor da Agência parece piada de português.

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