ELE E ELA

Meu conto

 

 

 

 

 

Era de madrugada, ele e ela voltavam para casa. Estando na frente, ele não sabia dela. Estando a trás, por segurança, ela mantinha distância dele. Parando na calçada, ele olhou para os lados. Ela se escondeu na esquina e ficou observando-o. Ele se aproximou da árvore, abriu o zíper e mijou, com as pernas fechadas, ela o invejou o sexo. Ela tinha que aguentar até chegar em casa. Ele se foi e ela pôde chegar em casa e ir ao banheiro. Sentada no vaso, com a minissaia levantada e a calcinha arriada aos joelhos fazendo xixi achou o rapaz bonito e decidiu se aproximar na próxima oportunidade.

Naquela manhã de domingo, nos cultos religiosos, praças, ruas, bares, etc., o dia ensolarado atiçava as moças, mas, os rapazes queriam um cochilo e assistir futebol bebendo cerveja. Ela preferiu pôr um biquíni e tomar sol no quintal. Ás vezes dava uma olhada na rua para ver se o rapaz bonito passasse por lá. E ele passou empurrando uma cadeira de rodas brincando com a irmã. Aquela cena deixou-a mais fascinada pelo rapaz, que, se não fosse pelo traje, ela já teria ido provocar um encontro e uma conversa iniciando uma amizade entre eles. A adolescência trás tanta informação quanto à infância sendo que a adolescência já trás uma dose de responsabilidade e outras coisas que diferenciam humanos e animais, se somos tão vilões quanto mocinhos, seremos sempre cinquenta por cento, pois, todo nosso corpo nos faz falta. Como disse Eduardo Galeano, a perfeição é uma maldição dada só aos deuses.

A semana começa com trabalho e escola, só o banheiro e a cama dão sossego, mas, momentâneo. As vinte e quatro horas do dia estão sendo muito pouco. Andando sob o calor do sol e, ás vezes, sob a fria chuva, no paradoxo de quem a ver passar com admiração e desejo e de quem a inveja e dizem maledicências, ela vai e volta com seu jeito feminino jovial que acabará um dia, mas, permanecerá nas fotografias, na memória de muitos, nos versos de um poeta e nas linhas de um prosador a descrevê-la. Um corpo esquio, um rosto redondo, um olhar angelical, uma voz macia e uma pele morena com cabelos até os ombros mais um andar provocador e sentada, cruza e descruza as pernas sem pudor e sem malicia de um maneira natural e sensual que só fundamentalistas religiosos condena e vê maldade e perversão intencional enrijecendo o meu membro e dos outros homens que naturalmente ficamos maravilhados com que Deus criou. E Deus criou para isso! Para se visto e para o deleite de nós pobres mortais num mundo efêmero de evolução e revolução, provocando sentimentos nobres e animalescos e ninguém fica imune e todos acabam fudidos.

Chega mais um fim de semana sem dinheiro e exausta, ficar a maior parte do tempo na cama, sair com um rapaz que pague as contas ou ir apenas a uma praça, são as opções que ela tem, e se um rapaz viesse a ela convidando-a para sair, seria mais que perfeito. A iniciativa é dele, inspirado pela anatomia dela. Todos sabemos disto e gostamos, há muita coisa que não precisa ser ensinada e dita. Munida de um livro e com o MP3 atualizado, o fim de semana estava programado. As pedaladas por algumas ruas na cidade ouvindo música entre às seis da tarde até as nove e dez daquela noite que começava o horário de verão, foi o primeiro encontro formal deles.

-Oi!

-Olá!

-Já nos vimos Né?

Com o riso maroto e quase se declarando:

-Sim.

-Meu nome é Queirós

-O meu é Iolanda

-Iolanda! Nome de música cubana

-Sim! Meus pais são fãs do Chico Buarque e quando nasci à música fazia sucesso na época, se eu fosse o menino me chamaria Pablo, pois, Pablo Milanez é o compositor da música.

-O meu nome é homenagem ao meu avô paterno, ele é um dos fundadores desta cidade no início do século passado.

-Poxa! Que chique!

 

A partir daí eles se tornaram conhecidos com admiração mútua, mas, tiveram destinos distintos sem jamais se esquecerem de e se gostar mesmo com o passar dos anos em que ela teve as agruras de ser mulher de um alcoólatra e ele teve uma carreira de ator de teatro e cinema e de filosofo que o deixou solteiro enfrentando nos tribunais meia dúzia de processos de paternidade em que exames de DNA o inocentavam e uma vasectomia devidamente divulgada para ter tranquilidade até que os dois ficaram na velhice, na mesma casa de repouso com muitos desvarios, nenhuma saudade ou arrependimento e nenhum temor.

Passavam horas se olhando sem nada dizerem, e, o destino os deixaram nos últimos dias em camas e túmulos vizinhos.

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