FHC e os temas complexos

Há um ponto em que há unanimidade sobre Fernando Henrique Cardoso, a ironia afiadíssima e o jogo de cintura excepcional, mesmo quando desafiado a falar sobre temas torturantes. Por exemplo, sobre o que pensa do candidato Geraldo Alckmin.

Confira na entrevista concedida a David Friedlander e Guilherme Faria, na cada vez melhor revista “Época” (clique aqui)

(…) ÉPOCA – Lula não é um líder?

FHC – Ele é. Foi o que aconteceu no PT. Sobrou o Lula, porque ele é líder. O Lula é grande tático, mas não é um estrategista. A liderança dele é tática. Ele sempre se sai bem taticamente, mas vai para onde? Ele é muito intuitivo. Mas, no mundo moderno, é preciso mais que intuição.

ÉPOCA – E o Geraldo Alckmin?

FHC – Ele tem tudo o que é necessário para ser presidente, ponto.

ÉPOCA – O senhor afirmou recentemente que José Serra era o mais preparado para ser presidente e pegou mal.

FHC – Não pegou mal. Todo mundo sabe que eu acho isso. O Geraldo também sabe. O Serra está preparado para ser presidente. É experiente. O Geraldo também tem experiência. Foi deputado e se saiu bem como governador. O mais difícil era o Lula, que tinha menos experiência e pagou um preço por isso. Agora, existem vários tipos de liderança. O Geraldo consegue, sem ter o carisma do Lula, manter uma boa conversa com a sociedade. (…) O grosso da população está mais interessado no jeitão da pessoa que no discurso. Você tira o som do Lula e vê que ele fala. A Heloísa Helena fala também. O Geraldo fala. Ele não fala com os mesmos públicos que ficam entusiasmados com a Heloísa Helena, mas fala.

Quando o assunto é complexo, com toda sua habilidade publicamente FHC fala. Mas não diz. Em particular, fala e diz.

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