Jóias do CPDOC

Era Vargas

Quem quer ter uma idéia do que é espírito desenvolvimentista, entre no site do CPDOC (www.cpdoc.fgv.br), especialmente na parte referente ao arquivo de Getúlio Vargas. Seja nas negociações com os EUA, nas disputas internas, sempre havia o foco no resultado, em trazer novas empresas, em conseguir recursos para a infra-estrutura, em modernizar o aparelho econômico. Uma aula do tempo em que o país tinha rumo.

Os duelistas_

Uma característica daqueles anos 50 era a mania dos adversários acertarem duelos públicos. No arquivo de Vargas há uma carta de Danton Coelho atacando todas as mulheres da família de Carlos Lacerda, xingando-lo de fdp para baixo, e desafiando-o para um duelo público, com direito a padrinhos e tudo o mais.

Roberto Marinho andou anunciando duelo com um adversário. E Paulo Bittencourt, do Correio da Manhã, desafiou Juracy Magalhães, depois de um quiproquó no Museu de Arte Moderna, dirigido por sua mulher, a terrível Niomar Muniz Sodré, de uma família de políticos baianos inimiga de Juracy.

O ghost writer

Os arquivos de Getúlio mostram o papel de duas pessoas influentíssimas na época. Uma, o jornalista Maciel Filho (o mesmo que copidescou a carta-testamento). Ele era autor de relatórios minuciosos sobre a situação econômica, sobre os grupos políticos, sobre os grandes golpes com dinheiro público. O outro era Valentim Bouças, o homem que criou a primeira revista econômica do país, o “Observador Econômico”. A influência de Valentim era pública; a de Maciel, pouco conhecida.

Guilherme Arinos, pai de Gustavo Franco, uma das duas pessoas (ao lado de Gregório Fortunato) que ficou acompanhando Getúlio no exílio, era tão discreto que, em um dos informes do Maciel Filho, ele diz ao Getúlio que alguém tinha incumbido “um tal de” Guilherme Arinos de redigir o modelo de criação do BNDES. Essa idéia foi pensada no exílio de Vargas no sul, nas conversas entre “o tal do” Guilherme e um tal de Vargas.

Quanto mais influentes, mais discretos.

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