Mais um crime da imprensa

Nos grandes casos de linchamento, sempre que se entra contra o efeito-manada da mídia, o risco é só de quem está na contramão. O erro da manada é minimizado porque a responsabilidade fica difusa. Mas quem andou na contramão será crucificado se proceder a qualquer erro de análise.

Hoje chegou ao final mais um dos grandes crimes da imprensa, no qual também fiquei sozinho. Trata-se do caso do Osasco Shopping Plaza – onde houve uma explosão provocada por vazamento de gás que acabou provocando a morte de 42 pessoas.

Houve de imediato o efeito-manada, no qual o papel central foi desempenhado por uma jovem repórter do “Estadão”, que passou a usar como fonte pessoas da promotoria, escondendo informações que pudessem ir contra as acusações. Nem é o caso de mencionar nomes, porque ela estava em começo de carreira. O significativo é anotar o grau de irracionalidade desses movimentos de manada, a ponto de uma promotora, tendo acesso a qualquer jovem repórter, poder manipular o espetáculo.

Entrei nessa história por acaso. A mãe do proprietário do shopping, ex-crítica teatral do próprio “Estadão” Ilka Marinho Zanotto, preparou um dossiê em defesa do filho e enviou para duas centenas de jornalistas.

Quando o dossiê veio parar em minhas mãos, percebi logo o ponto central da história: um laudo, de dois especialistas (um da Poli, outro, se não me engano, do MIT) explicando que vazamento de gás não é processo duradouro, porque a explosão se dá logo em seguida.

Ora, a única responsabilidade que se imputava ao administrador do Shopping, Marcelo Zanotto, era a de que o cheiro de gás permaneceu durante semanas no shopping sem que ele tomasse qualquer atitude. Se o gás estivesse vazando há muito tempo, a responsabilidade seria do administrador do shopping, que não esteve atento ao vazamento. Se foi processo repentino, a responsabilidade seria da construtora ou do projetista ou da empresa que instalou o equipamento de gás na lanchonete (responsável pela explosão). O laudo mostrando ser impossível vazamento continuado de gás, sem explosão, se não definia o culpado, era claro em identificar o inocente, o próprio Marcelo.

Mas o clima de linchamento acabou induzindo o juiz de primeira instância a condenar Marcelo Zanotto. Depois, veio a primeira absolvição pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Agora, a segunda, pelo STJ que, em decisão unânime, inocentou o rapaz alegando não haver nos autos prova de que ele fora descuidado com a questão. A culpa foi dos construtores que alteraram a planta sem conhecimento dos réus.

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