Malan e a impessoalidade

O ex-Ministro Pedro Malan publica hoje artigo no “Estadão” em que se reporta a uma acusação que lhe foi feita por Lula — a de segurar o dinheiro e liberar na época das eleições para amigos –, à sua interprelação judicial e à resposta pífia de Lula através de seu advogado.

Malan tem inúmeros defeitos. Mas não consta que, após ser empossado Ministro, tenha tomado qualquer tipo de atitude que beneficiasse individualmente pessoas. Os benefícios eram setoriais.

Falta apenas esclarecer sua participação efetiva nos episódios do segundo semestre de 1994, quando o plano Real foi implantado, particularmente as decisões de política cambial. Como se recorda, com a saída de Fernando Henrique da Fazenda, e a entrada de Ricúpero e Ciro no meio do processo, os economistas tomaram o freio aos dentes.

As explicações para os erros cometidos com a apreciação do real não passam, nem de longe, pela vã discussão macro-econômica nem eleitoral. Malan, Gustavo, Bacha, Winston e, particularmente, André Lara Rezende, jamais contaram a verdadeira história do desastre cambial que matou até agora doze anos de crescimento, e, pelo visto, poderá matar muitos anos mais.

O único sacrificado naquele jogo cinzento foi o economista que, até o fim, lutou pela racionalidade e pelo sucesso do plano: Pérsio Arida.

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