Mercantilização da medicina

Caro Luis Nassif

O que vou escrever não deve ser de certo uma novidade para você, que tem um amplo conhecimento de aparentemente tudo de importante….(verdade quando disse que quero ser igual à vc quando “crescer”…)

Trabalho há 16 anos em saúde pública, sou médica, e ando absolutamente escandalizada com a relação entre a indústria farmacêutica e os médicos.

Eu e um colega que estivemos no Congresso Brasileiro de Psiquiatria, ficamos abismados com a promiscuidade atual (?).

Para teres uma idéia, médicos recebem por fora, grana sobre as próteses ortopédicas/neuro-cirúrgicas que colocam, causando às vezes mudança de conduta por isso. E é só um exemplo.

Não é “purismo” nosso, existem n trabalhos científicos publicados em revistas de importância internacional sobre essa relação promíscua, o resultado disso nos tratamentos e condutas, pesquisas financiadas que só revelam o que interessa aos financiadores. Uma vergonha. Os jornais americanos vivem falando disso. A Forbes também( não é bem uma imprensa de esquerda, não???)

Descobrimos ainda que os laboratórios tem uma empresa que vai às grandes redes farmacêuticas e obtém a cópia das nossas receitas, sabem portanto que remédio eu prescrevo para a pessoa x ou y. E não é paranóia, foi o cara da Associação brasileira de Psiquiatria quem contou!!!!

É legal???Não é sigiloso??E, mesmo legal, é ético???

Isso para poderem me “premiar” caso esteja receitando o remédio deles, ou para me chantagear caso não esteja (chantagear é não pagar congressos, cursos, não me convidar para aulas, jantares, etc.).

(OBS: teve um no Figueira Rubayat, seria certamente a única chance que eu teria de conhecer lá….)

Nunca aceitei nada de laboratórios, então pessoalmente só me incomoda que eles tenham acesso à receita com o nome dos meus pacientes (é sigilo médico, não?), e que meus colegas vendam a nossa “arte” por tão pouco….É uma baita mercantilização da Medicina.

Existe um site sobre isso www.nofreelunch.org com vários links interessantes.

Enviado por: Andre P. A.

Vamos com calma pessoal.

Há décadas que a Industria Farmaceutica visita os médicos, através dos seus representantes comerciais. Sempre levaram brindes, a maioria canetas, agendas, calendários, à vezes livros, vídeos médicos com assunto que interessava ao Remédio em si, etc. Essa tentativa de influir no receituário médico sempre existirá. Alguns médicos não tem tempo, ou nem dinheiro para ir em Congressos de Atualização (triste), então vão se “atualizando” com a literatura viciada, dirigida pela Indústria Farmacêutica, ou imitando as prescrições dos médicos mais famosos, que viajam e/ou estudam…

1- Tem ocorrido acordo entre as Farmácias (digo Farmácias com Laboratório), que liberam a lista de nomes dos médicos que prescrevem os remédios que interessam à um Laboratorio. Nesse caso, os médicos são vítimas. Têm sua vida monitorada pela industria, com ajuda das farmácias. ( faz lembrar a discussão da identidade na Blogosfera). São expostos à industria Farmaceutica.

2) O interesse dos Laboratórios é em relação somente à poucos remédios: Os recém lançados, os mais caros que tem concorrentes. Lógico que não preocupam com o grosso dos medicamentos (98%, vitaminas, etc), que já até perderam a patente.

3) Nenhum médico ganha comissão de Farmácia. Ponto final. Nunca vi desde que entrei para escola médica em 1973. ( vários leitores entenderam errado, o texto do Blog não diz isso).

4) Em relação às proteses, que são muito caras, aí acontece de que um concorrente oferece mais descontos na compra, em relação ao outro concorrente, e esse desconto pode ficar com o profissional, ou mesmo com o Hospital (entendam bem: não é remédio, é um aparelho ou peça muito cara). Dependerá se for o profissional ou Hospital que faça a compra. Da mesma maneira quando um hospital (90% estão em estado pré-falimentar), negocia a compra de tudo (roupa, detergentes, etc).

5- Alguns laboratórios tem verbas que podem auxiliar na atualização profissional do médico, facilitando a compra de inscrições à congressos, etc. Mas essa verba é pequena. Não atende talvez 2% dos milhares de médicos. Aí fica a ética de cada profissional, de prescrever o que achar melhor, no preço para o consumidor, ou na eficácia, ou ambos…

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