O ABN Amro entra na disputa – 1

O ABN Amro decididamente entrou na campanha eleitoral, através do relatório de seu economista oficial Alexandre Schwartsman. Alexandre quis atingir Yoshiaki Nakano, acertou em cheio Geraldo Alckmin.

Alexandre recorre a algumas malícias conhecidas no seu levantamento sobre as contas paulistas. O ajuste fiscal de São Paulo ocorreu em 1995 e 1996, dos primeiros anos da gestão Covas. Ele se limita a analisar os dados de 1997 em diante. Ué, e os dois principais anos de ajuste?

Segundo Nakano declarou nos jornais de hoje, no primeiro ano, 1995, o governo Covas reduziu o déficit orçamentário de 27% para 2,8%. Depois, manteve superávits. Porque um ano vital, como o de 1995, não entrou nas análises de Schwartsman?

Para todos os anos, dados reais; para 1995, o ano chave, ele “deduziu” que seria pouco provável que o Estado tivesse reduzido despesas, enquanto a tendência era de aumento.

Ora 1995 foi o primeiro ano de estabilidade inflacionária. Não havia espaço mais para reduzir despesas via inflação. Muitos governadores se iludiram com o aquecimento do segundo semestre de 1994 e aumentaram substancialmente suas despesas. Dois dos maiores estados, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, quebraram inapelavelmente. São Paulo consegue reduzir o déficit de 27% para 2,5% sem dispor mais do imposto inflacionário. E Schwartsman se limita a fazer “deduções”, e concluir que seria impossível cortes de gastos nessa magnitude. Comprova o que afirmei sobre ele ontem: é o detalhista das irrelevâncias, jamais entra no ponto principal, não sei se por incompetência ou desonestidade intelectual.

Tome-se aquele dado de 1997. Segundo ele, a receita de São Paulo cresceu 11,6% e a despesa 11%. Se ambas saíssem do mesmo patamar, diria que não houve ajuste. Mas suponha que o crescimento da Receita paulista tenha sido de 12% em 1995, e as despesas tenham caído 15% — uma distribuição aleatória levando em conta a queda de 27 pontos no déficit fiscal paulista em dois anos. 11% de 100 de despesa é 11; 11% de 85 (o novo patamar de despesa) é 9,35%, porque a base é menor. Porque Alexandre desconsiderou essa forma, e limitou-se a analisar variações? Incompetência ou desonestidade intelectual?

PS – Alertado pelo leitor Marcos, uma correção, que não muda o cerne da crítica: os dados de despesa do estado são como proporção do PIB, não como variação.

(continua)

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