O BC e a análise prospectiva

Vamos a uma pequena avaliação da volatilidade da economia brasileira, tanto para períodos de bonança quanto de crise. Cada vez mais a economia brasileira está pró-cíclica -isto é, quando a economia mundial melhora, é mais beneficiada do que a média das economias mundiais (embora nem sempre se aproveite disso); quando a economia mundial piora, é a primeira a despencar.

Vejamos:

Pelo fato dos títulos da dívida brasileira serem os de maior liquidez no exterior, o risco-Brasil é o primeiro a cair, quando há excesso de liquidez internacional (e situação interna sob controle) e os primeiro a subir (quando reduz a liquidez internacional e há crises internas). Ou seja, é um papel pró-cíclico (que caminha sempre na direção do mercado).

Hoje em dia, com a apreciação do real, a balança comercial brasileira está sustentada por commodities, produtos pró-cíclico. Ou seja, cujas cotações e volume exportado aumentam em caso de aquecimento da economia global; mas também são os primeiros a despencar em caso de recessão.

O Brasil foi dos países que mais foi beneficiado e menos se apropriou desses benefícios na fase de bonança. A não ser no trabalho de redução da dívida externa e da dívida indexada ao câmbio. Mas no quadro comercial, criou espaço para problemas de monta.

É grande a probabilidade de uma reversão do quadro internacional. As apostas, hoje em dia, são sobre quando isso ocorrerá. Aí se terá uma situação complicada.

As exportações brasileiras estão sendo sustentadas pela alta de preços das commodities e de alguns poucos manufaturados. Em caso de crise mundial, caem preço e quantidade.

Há setores em que poderão ocorrer quedas bruscas de exportação. É o caso do setor automobilístico e da soja. O primeiro, porque para exportar há todo um investimento prévio; para sair da exportação, prejuízos à imagem da marca nos países importadores. Por isso relutam um pouco mais em parar as exportações.

No caso da soja, porque ainda se está colhendo a soja que foi plantada com um dólar mais valorizado, mas que não pode ser jogada fora por conta da valorização do real.

Se o Banco Central tivesse ferramentas mais sofisticadas de análise de risco, jamais focaria exclusivamente na inflação gregoriana. De que adianta um ano ou dois atingindo a meta, se às custas de comprometer a estabilidade daqui a dois ou três anos?

Mas a análise prospectiva, presente em vários setores de ponta da economia, ainda não chegou à área econômica.

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