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O fator Nakano

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O economista Yoshiaki Nakano tem história. Ao lado de seu eterno parceiro, ex-Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, foi dos primeiros a estudar a inflação inercial, ainda no começo dos anos 80.

Bresser-Pereira, com sua visão multidisciplinar, ajudou Nakano a entender aspectos da ciência política, de gestão. Acompanhou o amigo , quando este foi convidado a ser Ministro da Fazenda do governo Sarney, após o fracasso do Cruzado.

Quando Mário Covas assumiu, indicou-o Secretário da Fazenda. E aí Nakano revelou uma nova faceta: a de um gestor inigualável. Foi sob sua batuta que Covas deu início ao ajuste de despesas de São Paulo.

Na aba ECONOMIA tem uma coluna que escrevi em fevereiro de 2003 relatando a estratégia de Nakano para reduzir os gastos em São Paulo.

Tornou-se o mais completo economista brasileiro, em minha opinião, conforme externei em coluna do ano passado.

Do ponto de vista teórico, as teses de Nakano não seguem a ortodoxia do mercado. Com base na análise de diversos países, Nakano constatou que apenas os países que mantiveram a moeda desvalorizada lograram crescer.

As sucessivas crises brasileiras -dos últimos doze anos—se devem ao câmbio fora do lugar. Há um soluço da inflação, o Banco Central aumenta os juros. Esse aumento atrai mais dólares, provocando apreciação do real. Em um primeiro momento, a apreciação ajuda a combater a inflação. Depois, reduz o superávit comercial, deixando o país à mercê de capitais especulativos. A qualquer sinal de crise, esse capital sai, provocando nova desvalorização do real, nova inflação e novo aumento dos juros, em um círculo vicioso infindável. No atual momento, este círculo foi esticado devido à situação anômala do mercado de metais, que segurou o superávit comercial mesmo com a apreciação do Real.

Há uns dos anos, ele e Bresser apresentaram uma proposta polêmica: baixar os juros radicalmente e permitir uma maxidesvalorização do real. Depois, combater os efeitos inflacionários iniciais. A inflação ocorreria apenas em um primeiro momento, quando houvesse mudança no patamar de preços com a maxi. Depois, os preços se equilibrariam em um novo patamar, as exportações ganhariam fôlego novamente, induziriam à retomada dos investimentos, eliminariam definitivamente a vulnerabilidade e a volatilidade cambiais.

Como Ministro da Fazenda, certamente essa estratégia seria reformulada para algo mais gradativo, para evitar balanços indesejáveis de mercado.

Deve-se levar em conta que a implementação de uma política econômica depende da capacidade técnica do Ministro da Fazenda, do presidente do Banco Central, mas também da força política proporcionada pelo Pesidente da República.

Portanto, sem saber qual será a capacidade do presidente de resistir a pressões e bancar as apostas, é difícil saber se as idéias sairão ou não do papel, no campo macro. No campo da gestão, certamente sairiam.

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