O “Globo” e a síndrome do “Não Erramos”

Faria melhor o jornal “Globo” em admitir o erro que cometeu, ao lançar suspeitas sobre o fato do Ministro da Fazenda Guido Mantega não ter dado queixa à polícia sobre o seqüestro de que foi vítima em Ibiúna.

O “Globo” entrevistou o Delegado de Polícia de Ibiúna, que informou que, como Mantega não fez a denúncia pessoalmente, a própria polícia preparou o Boletim de Ocorrência. Disse que o caso era “não usual”. Como se fosse usual Ministros serem seqüestrados.

Na carta da assessoria de Mantega, que o jornal publica hoje, fica claro qual foi o erro do jornal.

Na condição de Ministro da Fazenda, Mantega comunicou o seqüestro a mais alta autoridade do estado, o governador José Serra, que acionou seu Secretário de Segurança, que acionou o delegado. Tudo de acordo com os conformes.

O repórter do “Globo” só tinha acesso ao fim da fila, o delegado.

Bastaria um pouco de discernimento para não cair nessa. Por exemplo, perguntar como os Ministros Ellen Gracie e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, procederam após terem sido assaltados. Ela foi à delegacia fazer um BO, ou as próprias autoridades estaduais se incumbiram disso?

O problema não é nem o erro em si, mas insistir no padrão “Não Erramos”. A Nota da Redação responde que as informações são da Polícia de São Paulo, “prestadas oficialmente”. E daí? O erro não foi da fonte, foi do jornal que consultou uma fonte que não tinha informações completas. E, com base no que ela disse, lançou insinuações de primeira página.

Depois, insiste que Mantega deveria ter comunicado imediatamente à Polícia Federal, desconhecendo que apuração de seqüestro é atribuição da Polícia estadual. Continua insistindo que demorou muito para informar às autoridades, ignorando as explicações de que Mantega passou a noite sob a mira dos seqüestradores, isto é, sob profundo stress, foi libertado de manha, como não é de ferro deve ter dormido um pouco e às 14 horas tinha audiência com o presidente da República.

O “Globo” já é o jornal de maior tiragem aos domingos. É o que tem praticado o melhor jornalismo. Para se tornar o melhor jornal, terá que aprender que o “Erramos” enobrece o jornalismo.

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