O Itamarati e o Legacy

Do leitor André Araújo

Nassif

Esse caso do Legacy está rendendo matérias e ainda vai render muito em toda a imprensa mundial. Existem no planeta cerca de 600 revistas especializadas em aviação, pode-se contar que a maioria vai fazer reportagens sobre o assunto, um acidente com características únicas na história da aviação, uma colisão onde um dos colidentes se salva e logo o menor deles.

As primeiras repercussões vem dos EUA onde o tal jornalista (free-lance) do NY Times, especializado em turismo de negócios e não em aviação, está deitando falação aproveitando seus quinze minutos de glória. Já deu entrevistas nas três maiores redes de TV dos EUA, em talk-shows, só falando bobagem e pichando o Brasil, mais preocupado com o destino dos seus amigos pilotos, que o convidaram para o vôo, do que com o que aconteceu com o Boeing.

O Brasil, as autoridades aeronáuticas e a Embraer tem que preparar ràpidamente um plano de mídia para se contrapor a essa cascata de besteiras que está vindo com o desdobramento das entrevistas do tal jornalista, nos pintando como uma Nigéria aeronáutica.

Ora, o Brasil històricamente é considerado um País top em aviação comercial, muito mais desenvolvido do que outros emergentes, há uma afinidade longa entre o Brasil e a história da aviação comercial, o Brasil já tinha cobertura aérea nacional a partir dos anos 30, com o Correio Aereo Nacional, a VARIG, o Syndicato Condor, a VASP e depois a Panair, a Aerovias e o Loide Nacional, temos tambem a segunda maior frota de aviões executivos depois dos EUA.

Por outro lado, o Sistema de Proteção Aérea da Amazônia é novo, instalado pela Raytheon americana ao custo de US$1,3 bilhões, não temos nada de atrasado nessa área.

Mas tradicionalmente também somos ruins na defesa de nossa imagem no exterior. Não se viu uma única manifestação do nosso Adido Aeronáutico em Washington, a Embaixada está muda, a reação é burocrática, esperando a conclusão das investigações que podem durar muito tempo.

A opinião pública americana é imediatista, o Governo brasileiro l já deveria ter convocado a mídia de lá e antecipado o que já se sabe, se não fizermos isso logo, quando estiver pronto o relatório técnico o assunto já terá perdido o interesse da mídia e vai ficar a imagem de um Brasil aeronáutico primitivo e perigoso, onde nada funciona, causando danos à imagem do País e subsidiariamente ao turismo e às exportações de manufaturados.

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