O marketing de Alckmin

Se a candidatura Geraldo Alckmin não decolou até agora (pensando exclusivamente no primeiro turno) não se deve a nenhum erro de marketing. A estratégia adotada pelo marqueteiro Luiz Gonzáles foi acertada.

Se todo o mundo, imprensa, políticos adversários, fala nos escândalos do governo Lula, a troco de quê Alckmin deveria bater na mesma tecla? Para se diferenciar teria que ser ainda mais agressivo do que os demais, o que não é de seu estilo. Agindo como agiu, caso a denúncia dos escândalos pegasse, por sua postura ele seria automaticamente identificado como o oposto de Lula. Se pancadaria desse voto, Heloisa Helena estaria na frente.

Teria sido mais eficiente, é verdade, se tivesse trabalhado em cima das promessas não cumpridas de Lula, analisando as deficiências de cada ministério. Mas, para isso, a equipe de marketing necessitaria do conteúdo fornecido por outro departamento.

E, aí, entra o coordenador da campanha João Carlos de Souza Meirelles. Ele juntou dezenas e dezenas de personalidades para enviar propostas, e não cuidou de sistematizá-las. Tratou muito mais da solenidade dos nomes do que da consistência das propostas.

Duas ou três semanas atrás -segundo pessoa diretamente ligada à campanha— Meirelles apresentou uma maçaroca, com vários documentos escritos em estilos diversos, e saiu atrás de alguém que pudesse consolidá-los em um documento único. Duas semanas atrás, quando viajei com Alckmin para entrevistá-lo, o documento ainda estava sendo revisado por ele, Alckmin. E era tão genérico quanto as propostas de Lula.

Além disso, o possível ponto forte das propostas de Alckmin -a mudança sem ruptura da política econômica—ficou perdido, não se tornou ponto central das suas propostas. Mesmo se tivesse se tornado, provavelmente não inverteria o resultado.

Em suma, o marketing foi eficiente, o conteúdo foi pífio. E o resultado final comprova uma falha que Alckmin terá que superar se quiser continuar tendo presença nacional: tem que saber se cercar de pessoas eficientes e não meramente solenes, como Meirelles.

De qualquer modo, mesmo na eventualidade de ser derrotado em primeiro turno, Alckmin sai das eleições com cacife para aspirar posição de destaque no PSDB. Justamente porque seguiu à risca sua intuição e os conselhos de Gonzales.

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