O papel purificador do mercado

Enviado por: weden

Mas há que pensar que dessa crise de conduta da imprensa brasileira podem surgir novas oportunidades:

No final do século XIX, Pulitzer e Hearst ficaram conhecidos como os patriarcas da yellow press. O chamado new journalism (nada a ver com o movimento homônimo liderado por Tom Wolfe, nos anos 60) era marcado pela busca da acusação fácil, da falta de cuidado com o nome público, e com um comportamento denominado pelo próprio Pulitzer (quem diria, que viraria o prêmio de qualidade do jornalismo) de jornalismo “muckraker” – algo como “fuçador de lixo”, ou “revirador de lama”…

Esse tipo de apelação, aliada a uma certa empáfia, foi a grande responsável pelo estouro nas vendas dos jornais, que chegariam ainda no final do século XIX à vendagem que alguns grandes nacionais conseguem hoje: 600 mil exemplares, por parte do The Journal.

Mas também mostrou outros caminhos. Contra isso se manifestou um jornal até então em plena crise de identidade, de dono novo, um tal de Adolph Ochs, que percebeu um filão até então surpreedente: um jornal tão noticioso quanto os da yellow press, mas decente, conquistaria parte da classe média insatisfeita com a dupla de exploradores da opinião pública.

O The New York times surgiu então como o medelo do jornalismo responsável, e se tornaria rapidamente o modelo do jornalismo mundial.

Foi uma decisão de mercado que deu certo.

Moral da história: o próprio mercado pode vir gerar soluções promissoras no futuro pela insatisfação cada vez maior que parte da classe média está demonstrando com o comportamento dos grandes jornais.

A diferença é que o novo mercado pode está longe dos impressos.

Comentário

Matou a charada. Havia uma avenida aberta para esse novo jornal no país. Esse jornal teria que ser eminentemente técnico, trazendo denúncias consistentes, esclarecendo denúncias sem fundamento, procurando explicar o momento, pairando acima das paixões.

Momentos de catarse são fundamentais ou para afundar publicações, ou para permitir saltos qualitativos para quem tivesse visão estratégica e de mercado. A loucura desses tempos foi que todos os competidores passaram a disputar o mesmo espaço, só se diferenciando no tom das denúncias.

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