O Plano de Metas

Mário da Silva Pinto foi um dos fundadores da Consultec, a grande consultoria dos anos 60, que acabou produzindo muitos projetos financiados pela Fundação Ford e que, com Castello Branco, se transformaram em políticas públicas. Aqui, seu depoimento sobre o Plano de Metas de JK, dado ao CPDOC da Fundação Getúlio Vargas:

“O Plano de Metas do Governo Juscelino serviu como uma defini玢o de sonhos. Foi um plano onírico sem o menor valor técnico-econômico. Eu vou lhes contar uma coisa pequena de que me lembro. Eu conheci bem a indústria do alumínio como professor de metalurgia que fui e como, talvez, o descobridor de minérios de alumínio no Brasil, em Poços de Caldas. O que estava definido no Plano de Metas como ambição alumínica no Brasil só foi atingido uns 15 ou 20 anos depois. Aquilo tudo era um sonho. Eu [acompanhei] um trabalho de análise do Plano de Metas [na área] de papel e celulose feito na Consultec para a Universidade de Harvard por um cunhado do Roberto Campos. E tudo que figurava no Plano de Metas era onírico, não havia nenhuma ligação entre as ambições, as matérias-primas necessárias, a energia necessária e o dinheiro necessário. Era mera expressão de sonhos e de dialética demagógica para obter votos. Essa é a lembrança que eu tenho do Plano de Metas”.

“(…) Quando eu estava como chefe do Departamento de Projetos do BNDE apareceu um pedido da comissão construtora de Brasília para um financiamento para a usina hidroelétrica de Paraná, que era uma coisa suntuária. Eles não tinham capacidade de reembolsar o Banco e acabou-se compondo a situação, fazendo-se o financiamento a fundo perdido, por conta do Tesouro. Nós achávamos que o Banco não podia dar esse mau exemplo de financiar um projeto visivelmente aleijado, doente e incapaz de reembolso. De modo que o Lucas Lopes, como ministro da Fazenda, o Roberto Campos, como presidente do BNDE e eu, como diretor do Departamento de Projetos, demos parecer contrário a isso, e eles acabaram se compondo com a Novacap, através do Tesouro Nacional. Mas não através do Banco”.

Observação minha: curiosamente, a autoria do Plano de Metas é de Lucas Lopes e Roberto Campos, dois dos técnicos que saíram do governo para montar a Consultec, com Mário.

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