O saca-rolha mais caro do mundo

talvez alguém consiga fazer uma analise sociologica sobre uma sociedade que produz coisa assim, a esse preço, e o pior de tudo, ache quem compre!

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Da Folha

Ensaio
Eric Asimov no NYT 

Um saca-rolha à altura do vinho

A maioria das pessoas liga pouco para os saca-rolhas. Elas ficam satisfeitas com o brinde da loja de vinhos do bairro, com a versão barata de duas asas, ou mesmo com um canivete suíço. Há saca-rolhas a pilhas, e complexos modelos que funcionam com um aperto e um puxão.

Sommeliers do mundo todo usam majoritariamente um dispositivo simples, de alavanca. Basicamente, ele consta de um cabo como o de faca, com uma espiral que é inserida na rolha, e um apoio dobrável para encaixar na garrafa. Esse modelo foi patenteado na Alemanha, em 1882, e suas versões básicas custam menos de US$ 10.

Aí, vem o australiano Code-38, projetado segundo os mais elevados princípios do design, com materiais de primeira linha. É vendido por US$ 220 a US$ 410. Ao contrário do saca-rolha barato lá de casa, o Code-38 oferece o peso sólido de uma boa ferramenta. O modelo básico, de US$ 220, é de aço inoxidável maciço. A lâmina de corte é um arco de aço que pode ser afiado numa pedra.

O apoio tem uma só dobradiça, em vez da dobradiça dupla que eu tenho no meu Pulltap. Isso serve como uma rede de segurança para amadores que nem sempre conseguem pôr o saca-rolha no ponto certo.

A dobradiça única do Code-38 é concebida com tal precisão que ainda estou para encontrar uma rolha que eu não extraia sem esforço. Por US$ 410, você pode adquirir o Code-38 Pro Stealth, “uma mistura completa de texturas destruídas e finais vaporizados à base de titânio”, como diz o catálogo na internet.

Emprestei meu modelo de US$ 220 a Michael Madrigale, sommelier do Bar Boulud, em Nova York. Ele gostou bastante, mas reclamou do preço. “É como o hambúrguer de US$ 200”, disse. “É reinventar algo que já está perfeito.”

Já Chaad Thomas, ex-sommelier e sócio da US Wine Imports, achou o saca-rolhas “uma linda peça”.

“Foi magnífico poder abrir o saca-rolha com uma só mão”, disse ele. “Dá para usá-lo rapidamente mesmo, além de ser muito durável. Como sommelier, eu costumava usar os saca-rolhas até acabarem.”

Já houve outros saca-rolhas caros. A marca francesa Laguiole, por exemplo, é famosa há mais de um século.

Jeffrey Toering, o designer do Code-38, foi montador de instrumentos na Força Aérea Australiana, o que ele compara a ser relojoeiro. A ideia do Code-38 surgiu na década de 1990, quando ele viu um garçom usar um “saca-rolha barato de plástico” para abrir uma boa garrafa de vinho. “O calibre do saca-rolhas não combinava com o nível do vinho nem do restaurante”, escreveu ele num e-mail da Austrália.

Assim, começou uma odisseia de tentativa e erro, de testes de design e materiais, e de comparação de fontes. Ele examinou espirais do mundo todo antes de escolher um feito na França. Toering diz que o Code-38 é “totalmente reconstruível” e coberto por uma garantia eterna.

Toering monta cada um individualmente e diz que já vendeu 137 exemplares.

“Eu acho o Laguiole e produtos similares daquela região brilhantes gostaria de pensar que o Code-38 pode ser colocado entre eles em pé de igualdade”, afirmou.

Code-38 corkscrew

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