O túnel, segundo os engenheiros

Vamos começar a colher todas as versões sobre o acidente do Metrô.

A história do acidente do túnel do metrô é a seguinte, segundo engenheiro ligado ao consórcio que constrói a Linha 4.

Conforme alguns posts que coloquei bem antes das eleições, o governo do Estado de São Paulo, na gestão Geraldo Alckmin, demorou muito para fazer as desapropriações de terrenos, atrasando bastante o início das obras. O Metrô está sendo financiado por um consórcio japonês, e a demora estava criando custos adicionais para a obra.

O método mais eficiente de cavar túneis é o “tatuzão”, que anda a 14 metros por dia. Ocorre que o “tatuzão” é um equipamento sob encomenda. Depende da análise geológica de todo o trajeto do metrô para só então começar a ser construído de acordo com as especificações. Ao todo, leva dois anos entre a prospecção e a fabricação da máquina.

A demora nas desapropriações e no início das obras provocou problemas adicionais. Como se tratava de correr contra o relógio, os locais desapropriados para as estações são pequenos, como é o caso do posto de gasolina perto do cine Belas Artes, que será a estação da Linha 4 na Paulista.

Uma peculiaridade da legislação brasileira é que os donos de terrenos não são proprietários do sub-solo, como ocorre nos EUA e no Japão. Essa característica permite que se comece a abrir os túneis mesmo antes das desapropriações. Para evitar mais atrasos ainda na obra, o consórcio optou pelo método NATN. O inconveniente desse método é a lentidão. Ele avança dois metros por dia, contra 14 do “tatuzão”. Mesmo assim, deu-se início às escavações.

O que desabou não foram os túneis, que permaneceram incólumes, mas a carga das paredes da futura estação. Ainda vai demorar algum tempo para se chegar às causas. O consórcio está trazendo um consultor internacional, além do colegiado de consultores nacionais.

Para fazer a análise será preciso retirar todo o material do poço. Ocorre que o veículo que caiu lá dentro está funcionando como uma espécie de rolha. Há o risco de, ao arrancá-lo, ruir o restante da obra. Por isso tem que se cavar de maneira que dê segurança aos bombeiros.

Quanto às fraturas nas casas, fonte ligada ao consórcio informa que faz parte do cotidiano de qualquer perfuração. Quando corta o terreno, mexe com o maciço e tem repercussão ao longo dele. À medida que vai havendo a perfuração, são identificados “pinos de contagem” geológicos. Cada fratura encontrada é preenchida com concreto. À medida que se vai fazendo o preenchimento, vai se percebendo se foi estancado ou não. Às vezes entre a prospecção e o reforço a rachadura aumenta consideravelmente. No fundo, diz ele, vale o que explicou o presidente da Associação Brasileira de Túneis á Rádio CBN: é uma corrida permanente para ver quem chega primeiro, se o reforço ou a rachadura.

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