O vaudeville

Dos repórteres Laura Capiglione, Luísa Brito e Sérgio Torres, na “Folha” de hoje sobre o do caso Ritchtoffen:

O vaudeville

Se a acusação permitiu-se, nas três horas iniciais a que teve direito, até encenar o homicídio com uma barra de ferro invisível, a um metro de Daniel, e repetindo: “O senhor bateu. O senhor bateu. O senhor bateu”, como fez o promotor Nadir Campos Junior; se o Ministério Público encenou um showzinho que o próprio acusador Roberto Tardelli reconheceu parecido com “vaudeville”, os irmãos Cravinhos foram representados por um advogado, Adib Geraldo Jabur, que gastou metade da uma hora e meia a que teve direito saudando todos os presentes, até os PMs e funcionários do fórum, “além da torcida do Corinthians”.

O advogado de defesa
No final da fala do advogado (Adig Geraldo Jabour) -que incluiu a filha dele, Gislaine Jabur, homenageando sua própria prole-, o comentário na sala do júri era: “Assim, a Promotoria vai ganhar por W.O”.

Indignidade
O momento mais tenso da parte do julgamento destinado à manifestação dos acusadores foi durante a fala do promotor Nadir de Campos Júnior. Antes, aos gritos, ele aproximou-se dos réus. “É repugnante, é abjeto, é nojento matar alguém e depois, na entrada do motel, dizer que quer a suíte presidencial”, falou, referindo-se ao fato de Suzane e Daniel terem ido a um motel após o crime.

Nessa hora, o caçula dos Cravinhos começou a chorar muito. Campos Júnior prosseguia quando, também gritando, surgiu à sua frente a advogada Gislaine Jabur, uma das defensoras dos irmãos. Ela reclamava do tratamento dispensado aos seus clientes.

Também aos gritos, o promotor pediu a ela que voltasse ao seu lugar imediatamente. O juiz não conseguia controlar a balbúrdia no plenário.
Daniel e Cristian se abraçaram chorando. “A crueldade deles não justifica a sua”, gritou a advogada antes de sentar. Antes, o promotor Roberto Tardelli já tinha chamado Suzane de “fedelha assassina”.

Segundo um magistrado que assistia ao julgamento, o comportamento do promotor Nadir de Campos Jr., que no intervalo chamou Suzane de “a loira do filme “O Exorcista'”, foi despropositado, desumano e covarde. “Atacar uma pessoa algemada, que não pode responder, é uma indignidade”, disse. “Nunca se ouviu algo assim num Tribunal de Júri”, disse.

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Jabour, Nacif, Tardelli, Nadir – este com um comportamento que compromete a imagem da promotoria perante qualquer cidadão dotado de civilidade – mostraram o mal que o excesso de mídia provoca em pessoas despreparadas, imaturas. E o mal que o excesso de exibicionismo provoca para a justiça.

Ainda bem que, junto com esses despreparados, havia advogados discretos, e o trabalho quase irrepreensível do juiz Alberto Anderson Filho. Teria sido perfeito – a julgar pela cobertura—se tivesse interrompido o show vergonhoso desse promotor Nadir.

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