Onde nasceu o Hezbollah

Do leitor André Araújo

Candente e tocante à manifestação do leitor Daniel sobre judaísmo e sionismo. A manifestação é mais que oportuna.

Sempre existiram judeus nos paises árabes e sempre foram bem tratados. Em Alexandria, no Egito, até a Revolução Nasserista de 1952, existia uma sólida comunidade judaica, mais de 150.000 pessoas, que lá estavam há séculos. No Cairo, até 1952, das seis principais lojas de departamentos, cinco eram de tradicionais famílias judaicas, como os Cekurel.

A colônia judaica em Bagdá era importante e também secular, liderada pela família Sassoon. Aleppo, na Síria, foi o berço dos Safra, Safdié, Duek, Hariri, famílias judaicas de idioma árabe, tradicionais na cidade.

Tudo mudou depois da criação do Estado de Israel. Iniciou-se uma guerra que dura até hoje e parece nunca acabar.

Afinal, porque existe o Hezbollah? Porque o General Sharon entrou no Líbano em 1982 e autorizou um massacre nos acampamentos palestinos de Sabra e Chatilla, onde pereceram 17.000 homens, mulheres e crianças, famílias inteiras foram massacradas em três dias, numa área cercada por tanques israelenses. Desse massacre nasceu o Hezbollah, formado pelos sobreviventes.

Da mesma origem é o Hamas, fruto da degradação e miséria dos palestinos, hoje confinados como gado doente em uma estreita faixa perto da qual a favela da Rocinha é o paraíso.

O problema eterno dos judeus, já conhecido pelo Imperador Adriano é a arrogância. Quando a atual Ministra do Exterior de Israel diz que a principal razão da guerra libanesa não é tão somente a volta dos dois soldados mas sim liquidar quem teve a audácia (ela dizia how they dare?) de quem ousou lançar mísseis contra Israel, está nessa expressão uma extraordinária atitude de arrogância.

Dessa atitude vem o resto. Toda a ação de Israel no Líbano é movida pela arrogância. Por isso eles não tem cuidado com os alvos civis, nem se incomodam em destruir um prédio de dez andares com gente dentro, como fizeram no dia 26 passado em Tiro.

Como então Washington reclama do Hezbollah, da Síria, do Irã, do Bin Laden? Todos são movidos pelo sentimento de vingança, uma atitude emocional cujo gatilho foi disparado pela extraordinária arrogância de Israel e de seu parceiro americano.

A tragédia é não entender o Oriente Médio e não entender o povo árabe, um povo que cultua a paz e a sabedoria, que acolheu os judeus fugidos da Península Ibérica no século XV (são os safaradis) e recebeu em paga essa bofetada histórica de ingratidão e crueldade.

Quanto aos Estados Unidos, eram até a Segunda Guerra o País mais admirado pelos árabes. A nata da elite árabe estudou na Universidade Americana de Beirute e o prestigio dos americanos era enorme na região. Tudo jogado no lixo, talvez para sempre.

Não foi sempre assim. Os EUA apoiaram Israel desde a criação do Estado judeu, mas não incondicionalmente. A inflexão pela aliança total veio com os neocons, o núcleo ideológico do Governo Bush filho, formado por oito intelectuais, todos judeus, liderados por Richard Perle.

O Governo Bush queimou as pontes com o mundo árabe e dificilmente serão reconstruídas. Será uma enorme perda para os EUA, perda de um papel arbitral e imperial, posições que exigem não só reverência mas também admiração.

Por essas ironias da história, uma crise grave como essa tem no comando do Governo de Israel um Premier sem experiência e um Ministro da Defesa lombrosiano, ambos sem qualquer liderança nas forças armadas.

O General Sharom, que não era nenhuma flor, dificilmente teria executado um plano tão insensato confirmando o velho adágio de que os militares em geral são menos belicistas do que os civis, eles conhecem a o cheiro da pólvora e a dor da bala na carne.

Felizmente para a humanidade existem judeus civilizados que estão abominado essa aventura louca. Pena que não sejam a maioria, mas talvez essa guerra aumente seu contingente.

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