Os ciclos especulativos

O artigo de Yoshiaki Nakano, no “Valor” de hoje, traz a pergunta que não quer se calar. Nakano observa um paradoxo, que acompanhou outros momentos de internacionalização financeira. Através de seus mercados e instrumentos financeiros sofisticados, os países centrais têm mais condições de criar riqueza financeira do que riqueza real; os emergentes mais condições de criar riqueza real do que financeira.

Cria-se um dilema, então, cujo reflexo são as diversas bolhas especulativas. O investimento passa a ser contido pela demanda. Há um descasamento entre a abundância de capital financeiro e a incapacidade da economia real em dar vazão a novos investimentos – que esbarram, justamente, nos problemas de demanda. O resultado é um aquecimento nas cotações dos ativos reais, explodindo em várias bolhas especulativas.

Em outras palavras, compro ações de uma empresa com capacidade de vender 100. Há excesso de recursos disponível. Cria-se uma competição que faz as ações subirem para 150, só que a rentabilidade não sobe na mesma proporção, porque não é possível encontrar demanda para a nova produção.

Por outro lado, nos emergentes há um enorme aumento da produção (absorvida pelos EUA) sem que haja instrumentos financeiros. A poupança fica maior do que o investimento, levando-se a aplicar nos ativos financeiros dos desenvolvidos.

Esse descompasso levou a sucessivas crises, do século 19 a 1929.

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