Os estrategistas da paz

No início dos anos 80, em plena agonia da ditadura, foram lançadas as sementes que germinaram no futuro Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade e nasceram as primeiras leis de defesa do meio ambiente. Em 1984, em plena crise pós-moratória, nasceram as idéias centrais do Progama da Integração Competitiva, a proposta que mudou a face do Brasil nos anos seguintes. Em pleno desastre do governo Sarney, foram plantadas as bases para a futura disciplina fiscal, com a criação da Secretaria do Tesouro Nacional, a separação do orçamento -que antes misturava em um mesmo balaio a conta da Previdência, das Estatais e do governo central –, o fim da conta movimento do Banco do Brasil.

Em pleno olho do furacão do governo Collor, enquanto o país só tinha olhos para as piruetas atléticas do presidente, e, depois, para a campanha do impeachment, o Brasil experimentou o parto para a modernização, com a implementação de um conjunto extraordinário de reformas e de iniciativas, da criação do PBQP ao programa de abertura gradual da economia.

No primeiro semestre de 1994, quando parecia que o mundo ia se acabar, a URV ajudava a lançar as bases para o futuro plano Real. No segundo semestre, quando tudo parecia dar certo, eram plantadas as sementes para os 12 anos de estagnação na economia, um nó górdio que até agora não foi rompido.

Qual o Brasil que emergirá da atual crise política, a mais prolongada da história, 18 meses de pura pancadaria, de uma sucessão de escândalos, de uso indiscriminado de dossiês contra todos os lados, de um estilo de jornalismo agressivo, passional?

Essa é a grande pergunta que se faz. O governo Lula é totalmente diferente do que iniciou o mandato. O PT é uma estrela partida em vários pedaços. Ao mesmo tempo em que cometia erros grandiosos, porém, Lula apontou para o caminho da inclusão de amplas massas de brasileiros, e uma capacidade de articular forças das mais diversas, que tornou-se um caminho sem volta para a política nacional.

A própria carta de Fernando Henrique Cardoso, conclamando o PSDB a buscar o povo, é sinal de que nada será como antes, apesar de ele ter enxergado o futuro pelo retrovisor.

O que acontecerá com o país a partir de 1º de janeiro? Tenho cá comigo que esse clima de guerra arrefecerá. Hoje em dia, a exacerbação está no auge, inclusive pelo aparecimento dessa compra de dossiê em pleno final de campanha.

A partir de janeiro, o clima de guerra estará exaurido e deverão crescer os personagens políticos capazes de promover a pacificação e a mudança de regras que impeça a repetição de fatos como os ocorridos no pós-democratização, mas que se acirraram enormemente na gestão Lula.

Já há exemplos concretos de pactos bem sucedidos, dos quais o mais evidente é o de Minas Gerais. Lá, tucanos, petistas e pefelistas conseguiram criar um universo de convivência extra-partidário. A bandeira regional falou mais alto do que as diferenças políticas.

No fundo, os grandes políticos da próxima etapa serão aqueles capazes de articular a paz, não a guerra.

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