Os intelectuais brancos e o movimento negro

Enviado por: waleria torres

Nassif,

Você em certas horas chega a ser arrogantemente imbecil.

Existem muitos feriados? Concordo.

Porque uma data religiosa de uma religião – como da Aparecida – precisa ser feriado? O Estado não deveria ser governado por um grupo religioso – seja ele qual for.

Mas o dia da consciência de um povo escravizado como animais – um povo até hoje explorado e discriminado – ter seu dia, neste país em que o branco europeu ousou desqualificar o negro como sub-humano – é, a meu ver, o único FERIADO que merece SEM DÚVIDA ALGUMA – ser comemorado.

Outras datas religiosas – de uma religião principalmente – podem ser repensadas. O dia de Zumbi de Palmares – que junto com Tiradentes – contiuem os únicos verdadeiros heróis deste país – além do proprio povo brasileiro.

Para finalizar – eu não sou negra nem tenho sangue negro – sou descendente de portugueses, italianos, espanhóis e belgas – sou brasileira. E em muitos aspectos me envergonha de minha “raça branca”, a “taça” que ousou se considerar superior às outras.

As panelas acadêmicas

O comentário dessa fineza, que assina Waleria Torres, é ilustrativo de um tipo de oportunismo que grassa em movimentos que, de repente, ganham visibilidade. É a praga dos caronas.

Na academia há o intelectual em período integral, debruçado sobre seus estudos, e aqueles que permanentemente tentam se fortalecer montando panelas em torno dos movimentos da moda.

Tempos atrás assisti a uma discussão no site Agenda do Samba-Choro. Nele, Alba Zaluar, socióloga carioca, especialista em criminologia, apresentava-se como defensora da cultura negra contra a usurpação dos “brancos” paulistas. Tomava como álibi uma menção da Enciclopédia Folha sobre o choro que, segundo ela, mencionava uma porção de anônimos brancos, e só mencionava Pixinguinha, como representante dos negros. Dizia ser grande especialista em música negra, e jamais ter ouvido falar dos autores mencionados pela Enciclopédia. Não conhecia o chorão que aparecia na foto que ilustrava o item: um certo Altamiro Carrilho. Mas sabia que tinha sido colocado por ser branco. E era São A-l-t-a-m-i-r-o….

Dona Alba era agressiva, um poço de preconceitos, como agressiva e primária é a leitora Waleria, e essa inacreditável demagogia de tentar purgar a culpa dos seus antepassados “brancos”. No caso de Alba, quando alguém mencionou erros ocorridos em matérias do Extra sobre música, garantiu que eram de paulistas infiltrados.

Havia público para ela, aplausos de leitores e militantes incautos, como certamente deve haver para a Dra. Waleria. Ninguém incorre em grosserias desse tipo se não julgar que a agressividade dá IBOPE junto ao público que se pretende adular. O texto de Waleria, aliás, é tipicamente adulador.

No decorrer do debate, Alba Zaluar chegou ao cúmulo de afirmar que a culpa pela imagem de violência do Rio de Janeiro era de nordestinos que cometiam os crimes. E sugeria – com todas as letras – que os jornais passassem a identificar a origem do criminoso em cada notícia dada. Tipo, “o ladrão é fulano de tal, cearense”.

Depois, ficou se sabendo que os pioneiros do choro mencionados pela Enciclopédia – que ela dizia desconhecer — eram, entre outros, Patápio Silva, Anacleto de Medeiros, Nazareth, Chiquinha Gonzaga. Ou seja, brancos e negros cariocas que tinham, em comum, terem sido pioneiros do choro.

Obviamente, manifestações como essas não podem ser debitadas na conta do movimento negro. É um oportunismo a que está sujeito todo movimento que ganha visibilidade. Mas deve servir como alerta para suas lideranças.

Para quem quiser ler a polêmica de Alba Zaluar, clique aqui. Ë do site do Samba-Choro, do nosso amigo Paulo Neves, frequentador do Blog.

PS – Agora entrou o link correto do debate de Alba Zaluar.

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