Os migrantes e a educação

Reportagem da Folha de 11 de janeiro de 2002, da repórter Gabriela Athias:

Pela primeira vez, desde o final da década de 70, São Paulo registrou um saldo positivo de migração. Ou seja, na década de 90, mais gente chegou ao Estado, vinda de outras regiões, do que saiu.

Na década de 80, para cada mil paulistas, havia dois migrantes vivendo no Estado. Nos anos 90, esse número pulou para quatro.

Para ter uma idéia da dimensão da migração- calculada pela Fundação Seade com base no Censo Populacional 2000-, entre 1980 e 1991 o Estado recebia cerca de 50 mil migrantes ao ano.

Entre 1991 e 2000, o Estado recebeu 147 mil pessoas por ano, o que dá um total de 1,3 milhão em nove anos. As estatísticas de 91 são contabilizadas na década de 80. O ano é citado nas duas décadas por ser uma referência demográfica em razão do Censo de 1991.

Estatísticas populacionais são essenciais para o planejamento público, explica a demógrafs Sonia Perillo, da Seade.

Apesar do aumento de migrantes, a taxa de crescimento populacional do Estado continua caindo (passou de 2,1% ao ano entre 80-91 para 1,8% entre 91-00).

Isso não quer dizer que a população deixou de crescer, mas indica que o crescimento está ocorrendo num ritmo mais lento.

Sonia explica que o fato de a chegada dos migrantes não alterar a redução do ritmo de crescimento mostra que as taxas de fecundidade e de mortalidade (ainda não atualizadas por década) são os fatores que mais influenciam na demografia paulista.

Os últimos dados de fecundidade mostram que em 1980 as mulheres tinham 3,4 filhos. Em 1999, caiu para apenas 2,4. Ou seja: uma queda de 29% no período.

Essa multidão que veio para São Paulo nos anos 90 fixou-se principalmente nos municípios da Região Metropolitana e no interior.

A capital, com seus 10,4 milhões de habitantes, continua perdendo população. No interior, a região de Campinas é a que mais recebeu gente no período. Na Grande São Paulo, Guarulhos é recordista.

O estudo da Seade não informa a origem dos migrantes, mas indica que municípios pobres, onde a população tem baixos níveis de escolaridade- caso de Guarulhos e Itaquaquecetuba-, continuam recebendo cada vez mais gente, o que agrava a miséria.

Para calcular a migração, a Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) comparou os dados do Censo 2000 com os nascimentos e óbitos do Estado. Quem não consta nesses registros, mas figura no último censo, é migrante.

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Na verdade, é apenas um argumento a mais para alimentar uma discussão besta. É evidente que migrantes, quando chegam, impactam o nível do ensino. Se vem de uma realidade diferente, com um nível de aprendizado diferente, vão derrubar a média para baixo. Também é evidente que a migração, per si, não é suficiente para explicar toda a queda da qualidade do ensino. A razão maior foi o trabalho do Secretário Chalita, e o fato do ex-governador Alckmin jamais ter aprendido a gerenciar por indicadores, para poder responsabilizar seus secretários e promover mudanças de rumo.

Daqui a pouco, o “politicamente correto” vai considerar preconceito afirmações do tipo “o analfabeto não sabe ler”.

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