Pastore e o câmbio

Da coluna no “Valor”, do professor Affonso Celso Pastore e da economia Cristina Pinotti, sobre o câmbio (clique aqui).

Depois de um apanhado da situação da balança comercial, com a competência costumeira, Pastore e Pinotti passam às conclusões:

“Primeiro, o câmbio real valorizou-se sem prejudicar as exportações porque isto foi permitido por uma forte elevação dos preços internacionais, impedindo que se diga que o real está sobrevalorizado. Na realidade, sua valorização foi permitida pelo ciclo de elevação de preços internacionais, que também presenteou o Brasil com o ajuste externo. Segundo, estes são preços médios e não fazem justiça aos exportadores de produtos cujos preços não cresceram nesta proporção. Mas este caso não pode ser resolvido com uma mudança do regime cambial, e, sim, com investimentos que elevem a produtividade e reduzam os custos”.

Porque não pode ser resolvido com mudança do regime cambial? Os mortos e desaparecidos da indústria têxtil, de mobiliário, da soja, de calçados ficaram muito sensibilizados com a sugestão do professor.

Mas, em quadros de mudança brusca de câmbio, não há investimento e ganho de produtividade que resolva. Mesmo porque o impacto sobre o caixa da empresa é imediato, enquanto ganhos de produtividade são de médio prazo. E empresa com apertos de caixa não tem tempo nem de respirar, quanto mais de planejar cortes de custo e investimentos. Aliás, sua capacidade de investimento é a primeira a ser comprometida pela apreciação do câmbio.

Se o professor conseguir montar a equação que permita entender como empresas com o caixa desequilibrado podem preservar capacidade de investimento, terá resolvido o problema do câmbio brasileiro.

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