Previdência e mídia – II

Da coluna de Merval Pereira no Globo de hoje

Para o economista Fábio Giambiagi, do IPEA, especialista no assunto e defensor de uma reforma do sistema previdenciário “a discussão contábil é uma falsa questão. Primeiro, porque estamos tratando com uma realidade: cada dia temos mais aposentados e dois de cada três deles – os que ganham o mínimo – têm aumentos reais todo ano, portanto há um problema concreto, e não uma simples controvérsia contábil sobre se a receita X tem que ser computada na linha A ou B.

A lógica de Giambiagi é mais ou menos a seguinte: Goldenberg, Rosenberg, iceberg, pouca importa o nome: a questão é que o Titanic afundou. Acho que foi a pressa do fechamento que fez Merval aceitar argumento tão primário assim do Giambiagi. Ele aponta uma questão: o aumento do salário mínimo sobre a Previdência. Colocada a questão, segundo sua lógica, tanto faz para ele se o rombo é de R$ 40 bilhões (contabilizando nas linhas tortas) ou R$ 3,7 bilhões (contabilizando das linhas certas). Qual a diferença entre um ajuste da Previdência partindo de um suposto rombo inicial de R$ 40 bi e outro partindo de um rombo efetivo de R$ 3,7 bi? A diferença é tudo. Não tenho dúvida de que, como jornalista sério e preparado, assim que voltar ao tema, Merval vai se dar conta desse sofisma giambiagiano.

E, segundo, porque, seja o gasto previdenciário ou assistencial, ele tem que ser financiado, e a velocidade do crescimento da soma de ambos gastos tem sido uma das causas do aumento da carga tributária nos últimos anos”.

Foi o fato de colocar todas as despesas, inclusive as renúncias fiscais na conta da Previdência, que permitiu a Giambiagi propor que todo o ajuste fosse feito em cima dos benefícios futuros dos aposentados que contribuem para o INSS. Como é que vem, agora, afirmar que tanto faz a maneira de contabilizar o déficit? Se tanto faz, porque nunca chamou a atenção para a maneira correta?

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